Bezerra e Virgílio Neto são escolhidos líderes do governo
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Gerson Camarotti e Tânia Monteiro 
Brasília, 18 (AE) - Foram escolhidos hoje líderes do governo no Congresso e no Senado, respectivamente, o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e o deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM). O presidente Fernando Henrique Cardoso escolheu os líderes depois de seis meses de indefinição. Com isso, o presidente tenta reorganizar a articulação política.
O pouco entrosamento entre o Planalto e o Congresso foi a causa dos recentes desgastes que o governo vêm sofrendo, principalmente com a criação das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do Sistema Financeiro e do Judiciário no Senado.
No Senado, a indicação de Bezerra foi comemorada entre os aliados. "Acho que o cargo ficou vago por muito tempo; por isso, eu mesmo já havia falado ao presidente sobre a necessidade urgente da escolha de um líder", comentou o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). "Não vejo a existência de qualquer conflito entre a CNI e o governo; afinal, o senador Bezerra tem credibilidade", completou Bornhausen. Dentro do PMDB, a indicação também foi comemorada. Até porque a demora na escolha do líder havia criado uma crise dentro do partido, uma vez que vários nomes disputavam a indicação.
No início, Bezerra não queria aceitar a indicação, alegando que poderia ser incompatível conciliar a liderança do governo com os interesses da CNI. Foi preciso uma interferência do presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), que quebrou a resistência de Bezerra depois de insistir durante três dias seguidos.
"Ele aglutina o partido e o Senado, pois tem trânsito e respeitabilidade", disse Barbalho. Mesmo assim, a oposição fez críticas à indicação. "Esse governo sempre condenou os interesses corporativos, mas escolhe exatamente um líder que representa esses interesses", condenou o senador José Eduardo Dutra (PT-SE). "O lógico será ele deixar a CNI", cobrou Dutra.
Mas Bezerra não está disposto a abandonar a presidência CNI. Para amigos, ele contou que, antes de aceitar o convite, consultou empresários como Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantin, e Jorge Gerdau, e que recebeu o sinal verde deles.
Como líder do governo, Bezerra deverá priorizar a defesa da reforma tributária. Uma conversa entre Bezerra e Fernando Henrique estava marcada para o início da noite de hoje. Mas, para aceitar a liderança, ele deverá deixar a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Hoje, enquanto o nome de Bezerra era consolidado no Planalto, o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), um dos preteridos ao cargo de líder, fazia um forte discurso contra o governo, criticando a falta de ação federal para combater a seca no Nordeste. "Está faltando vontade política", disparou Suassuna.
"Sou da base do governo, mas tem hora que não dá para aguentar mais", ameaçou o senador paraibano, condenando também a grande quantidade de recursos que os Estados estão perdendo para a União. "Em quatro anos de arrecadação da Paraíba, um ano foi para entregar ao governo federal", lamentou. Segundo Suassuna, a perda total nesse período chegou a R$ 1,16 bilhão, incluindo repasses do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e isenções da Lei Kandir. "O Ceará e a Bahia não reclamam porque eles têm tudo que pedem", afirmou.
Apesar dos ataques dentro da base, Virgílio Neto, novo líder do governo no Congresso, saiu do Palácio do Planalto pregando um discurso conciliador. "O governo vai responder a todas as críticas sem meias verdades", disse Virgílio Neto.
"Mas é preciso reagir e reforçar o contato com a sociedade civil", completou o deputado tucano, reconhecendo que existem falhas na defesa das ações do governo.
Segundo ele, a partir de agora, até os ataques da oposição criticando as viagens de ministros à ilha de Fernando de Noronha serão respondidos. "O governador Olívio Dutra (PT-RS) ao dispensar a montadora em seu Estado, deu muito mais prejuízo para população", rebateu. Em relação à possível convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para participar da CPI, Virgílio Neto afirmou: "O Malan não está louco para ir, mas, se for convidado, vai sem medo", respondeu.


