Bezerra diz que FHC buscou "equilíbrio" na privatização
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 25 (AE) - O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PMDB-RN), disse hoje na tribuna que o presidente Fernando Henrique Cardoso não cometeu nenhuma irregularidade nas conversas que manteve com assessores durante o processo de privatização da Telebrás. "O que houve foi a preocupação do presidente para que uma empresa não qualificada viesse a operar um sistema tão delicado quanto o da telefonia", argumentou sobre a denúncia de que Fernando Henrique agiu para favorecer o consórcio do Banco Opportunity e da empresa italiana Stet no leilão. Para o líder, "é ridículo" apregoar o impeachment de Fernando Henrique por causa da suspeita de que ele teria agido indevidamente. "A preocupação do presidente foi a que houve houvesse equilíbrio na privatização", alegou. Fernando Bezerra teve o apoio dos líderes do PMDB, Jáder Barbalho (PA), do PFL, Hugo Napoleão (PI), do PSDB, Sérgio Machado (CE) e do PPB, Luiz Otávio.
Os 14 senadores do bloco assinaram o requerimento do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) para criar uma CPI destinada a investigar a denúncia sobre a participação de autoridades no leilão da Telebrás "para favorecer determinados concorrentes". Até o final da tarde, o senador havia conseguido 18 assinaturas, sendo quatro delas dos senadores governistas Roberto Requião (PR), Pedro Simon (RS), Amir Lando (RO) e Maguito Vilela (GO), todos do PMDB. É necessário o apoio, no mínimo, de 27 senadores para criar uma comissão de investigação. Suplicy vai continuar sua coleta amanhã (26).
No final da tarde, enquanto o ministro das Comunicações e principal coordenador político do governo, Pimenta da Veiga, dava entrevista, o PSDB divulgou uma nota rejeitando qualquer suspeita sobre a conduta do presidente Fernando Henrique Cardoso no episódio. A nota, lida em plenário pelo senador Osmar Dias (PR), afirma que "a ação do presidente Fernando Henrique Cardoso é inquestionável". "Sua autoridade moral, conduta irretocável e zelo com que vem conduzindo o País são a maior garantia dos brasileiros de que o patrimônio público será sempre preservado".


