Bezerra alerta para risco de o NE ter de importar água
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Juliano de Souza, especial para a AE 
Natal, 10 (AE) - O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, disse hoje que a partir do próximo ano o Nordeste vai enfrentar um forte desequilíbrio hídrico e a solução será importar água. Ele afirmou ter dados de que a oferta de água na Região será menor do que a demanda. "Se não houver a transposição das águas do São Francisco, vamos importar água em grande quantidade para atender a população ou exportar nordestinos, pois não vai haver água suficiente para todos", disse o ministro.
Fernando Bezerra defendeu a transposição do Rio São Francisco."É um projeto de interesse nacional e está contido no programa Avança Brasil", disse, certo de que terá o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso."O projeto é viável técnica e economicamente", assegurou. De acordo com o ministro, até o final do 1º semestre do próximo ano começam as licitações para a obra, orçada em R$ 1,7 bilhão.
Candidatura - O ministro negou ser candidato a governador do Rio Grande do Norte e criticou os políticos sergipanos que afirmam ser este o motivo de lutar pela transposição."Eu aceito discutir o projeto, tecnicamente, agora sobre insinuação sob nenhuma hipótese, pois não sou candidato ao governo", disse Bezerra, que está processando o deputado estadual Augusto Bezerra (PMDB-RN), um dos maiores críticos da transposição, que poderá beneficiar 6,8 milhões de pessoas no RN
PB, CE e PE.
"Vamos fazer sim a transposição", disse Bezerra durante a assinatura de convênios com 70 prefeituras do RN para obras hídricas, drenagem e construção de casas populares, no valor de quase R$ 9 milhões. "Essa iniciativa só foi possível porque o ajuste fiscal fez sobrar recursos para projetos como esse, que geram renda em tempos de seca", afirmou.
À tarde, Bezerra firmou outro convênio, com o Estado, para liberação de R$ 2 milhões para obras da barragem de Umari, em Upanema, a 250 quilômetros de Natal. Já foram gastos R$ 20 milhões do governo estadual e faltam R$ 13 milhões. O manancial será o terceiro maior do Estado, com 290 milhões de metros cúbicos.


