Betaglucana é uma substância presente em todos os vegetais e microorganismos, especialmente cogumelo ''do sol'' e aveia, onde está em grande concentração. A substância é objeto de estudo de pesquisadores de Londrina para prevenção do câncer e melhoria da qualidade de vida de quem já tem a doença. Estudos feitos em laboratório com células isoladas e em animais já apontam resultados promissores. A terceira fase é a pesquisa em humanos, que já acontece na cidade, fruto de uma parceria entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Instituto do Câncer (ICL).
A síntese do estudo, segundo o biólogo e pesquisador Rodrigo Juliano Oliveira, professor da UniFil, que fez uma das fases da pesquisa para o seu mestrado, é o conceito de que a betaglucana tem principalmente atividade antimutagênica. Uma das consequências da mutação pode ser o desenvolvimento de câncer. ''Sabemos hoje que o câncer está diretamente relacionado com a mutação do DNA. Com o uso de uma substância antioxidade podemos supor que se está indiretamente prevenindo o câncer'', ressalta.
Há oito anos, o grupo de pesquisa do Laboratório de Genética Toxicológica da UEL, coordenado pelo biólogo e pesquisador Mário Sérgio Mantovani, busca comprovar o efeito protetor de substâncias e produtos naturais como o cogumelo ''do sol''. ''Os efeitos medicinais são bem conhecidos na cultura popular, mas ainda não tinham comprovação científica'', aponta Mantovani.
Ele ressalta que o nome cogumelo ''do sol'' é comercial e cientificamente o alimento é chamado de Agaricus brazilienses ou ainda Agaricus blazei. O interesse de cientistas pelo cogumelo veio depois que se descobriu que em uma cidade chamada Piedade, no interior de São Paulo, a expectativa de vida da população, que consumia o produto em larga escala, era maior.
Ao isolar os compostos do cogumelo, a pesquisa apontou que uma das moléculas em alta concentração era a betaglucana, presente também na aveia, na cevada, no trigo, e em outros cogumelos comestíveis. ''Ao trabalharmos com culturas celulares conseguimos provar que (a betaglucana) previne mutações'', explica Oliveira. Seus estudos com betaglucana de cevada e levedura indicam prevenção de danos ao DNA. Feitas em camundongos, as pesquisas também apresentaram resultados positivos.
O objetivo agora é comprovar se os efeitos também são benéficos em humanos. A pesquisa, tese de doutorado da nutricionista Clísia Mara Carreira, professora da UEL, pretende descobrir os efeitos da substância a curto, médio e longo prazos. ''No caso do câncer, a doença e o tratamento são agressivos. A expectativa é reduzir os efeitos colaterais do tratamento (convencional) e que o paciente possa responder melhor a ele'', avalia Clísia.
Os pesquisadores lembram ainda que apesar da ''promessa'' da betaglucana para prevenir câncer e melhorar as condições de quem está doente, a molécula pode ser facilmente ingerida através de uma alimentação saudável. ''Uma dieta em que a pessoa reduz a ingestão de gordura e carne vermelha, e aumenta a ingestão de frutas, verduras e cereais é uma das melhores formas de ingerir betaglucana e se prevenir'', afirma Oliveira. Ele e a bióloga Juliana Cristina Marcarini ministram, nesta quarta-feira, um dos cursos de férias da UniFil, no qual vão falar sobre plantas medicinais e prevenção do câncer.

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