Nova York, 08 (AE) - Uma maior participação no Mercosul e projeções do crescimento do poder aquisitivo das classes B e C no Brasil foram dois fatores decisivos na compra da Arisco pelo grupo americano Bestfoods, confirmada hoje em New Jersey. O grupo pagou US$ 490 milhões em dinheiro e assumiu o passivo de US$ 262 milhões da empresa brasileira.
A Arisco é líder no mercado brasileiro de temperos, de propriedade da família Queiroz e do grupo americano Goldman Sachs. Tem faturamento anual de US$ 440 milhões, 200 marcas e 29 anos de existência. A Bestfoods fatura US$ 8,6 bilhões anuais, vende em 110 países e faz 60% de seus lucros fora dos Estados Unidos. Sua subsidiária brasileira detém as marcas Hellmans, Knorr, Mazola e Maizena.
O negócio, embora expressivo no mercado latino-americano
é apenas mediano nos Estados Unidos. Ele provocou uma variação quase imperceptível na Bolsa de Nova York. Depois da aquisição, as ações da Bestfoods foram valorizadas em apenas + 0,74%.
Hoje mesmo, logo depois do anúncio, o presidente C.R. Shoemate e membros da diretoria-executiva da Beastfoods foram questionados, numa teleconferência, por um grupo de especialistas e representantes de grandes investidores, aparentemente preocupados com os detalhes e as garantias da operação. Fundos como Morgan Stanley, Prudential Securities e Bear Sterns participaram do evento.
Os executivos procuraram tranquilizar os investidores com a promessa de operar no azul no primeiro ano de operações combinadas, tarefa difícil considerando que será preciso zerar os prejuízos da Arisco. No segundo ano, esperam poder distribuir dividendos aos acionistas, sem revelar o valor.
Durante a conferência, a desvalorização do real em 1999 foi pintada como sendo o pior momento da economia brasileira desde 1994, mas os analistas da Bestfoods prevêem que as coisas vão melhorar. A empresa resultante da aquisição terá vendas combinadas de US$ 800 milhões anuais.
Entre as vantagens apresentadas aos investidores, a diretoria da Bestfoods informou que agora o grupo terá 54% do mercado de sopas, 60% do de bullions (produtos do tipo caldo Knorr) e 66 % do de maionese. Juntando fábricas, distribuição e vendas, a Bestfoods espera reduzir custos e aumentar eficiência.
Os investidores queriam detalhes sobre como a empresa media sua participação no mercado, considerando que o Brasil não dispõe do mesmo tipo de monitoramento existente nos Estados Unidos. Os executivos da Bestfood garantiram apenas que agora a empresa terá "uma posição forte no mercado brasileiro".
Outra preocupação dos investidores foi com a existência de possíveis entraves das autoridades econômicas brasileiras, descartados pela diretoria. Segundo os executivos da Bestfoods, o processo de aquisição foi transparente, com ela batendo outros concorrentes pela aquisição.

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