Berezovsky compra principal jornal da Rússia
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Vladimir Isachenkov 
Moscou, 06 (AE-AP) - Expandindo seu já vasto império de comunicação, o controvertido magnata empresarial Boris Berezovsky anunciou hoje (06) ter assumido o controle total do mais prestigiado jornal da Rússia.
Berezovsky, que desempenha um grande papel nos bastidores da política russa e é um dos amigos mais próximos do presidente Boris Yeltsin, disse que comprou o controle da editora Kommersant através de sua companhia, Logovaz, informou a agência de notícias Interfax.
A companhia publica o diário financeiro Kommersant e várias revistas. O jornal Kommersant, respeitado por sua cobertura apurada e normalmente não tendenciosa, é considerado por muitos o melhor diário da Rússia.
Berezovsky, que havia comprado 15% das ações da Kommersant no começo do ano, afirmou hoje que adquiriu o controle acionário da American Capital, baseada nos EUA, uma obscura empresa que foi formada - e comprou a Kommersant - pouco antes do início das negociações para a venda do Kommersant. Ele não informou quanto pagou pelo controle acionário.
O magnata fez o anúncio num encontro com os trabalhadores do Kommersant nesta sexta-feira. Ele prometeu não interferir na linha editorial do Kommersant, dizendo que quer apenas que sua opinião seja ouvida.
Entretanto, o antigo editor do diário Kommersant, Raf Shakirov, acusou Berezovsky de manobrar por sua saída no começo da semana. Sharikov disse na quinta-feira a repórteres que perdeu seu emprego depois de ter recusado a aceitar um bônus em dinheiro do Berezovsky em troca de sua lealdade.
Sob Shakirov, o diário vinha sendo profundamente crítico a Berezovsky, acusando o magnata de se meter em assuntos do governo através de laços estreitos com o círculo íntimo do presidente Boris Yeltsin.
O jornal vinha divulgando amplamente uma investigação criminal em andamento contra Berezovsky por suspeita de que ele escondeu no exterior US$ 250 milhões obtidos da maior companhia aérea da Rússia, Aeroflot.
O recém-apontado diretor-geral da editora, Leonid Miloslavsky, afirmou à televisão NTV que demitiu Sharikov porque o editor havia se tornado politicamente tendencioso.
Observadores previram que Berezovsky transformará o Kommersant num instrumento para suas intrigas políticas, provocando uma saída em massa de seus jornalistas.
"Os jornalistas mais destacados provavelmente sairão, e isto irá mudar totalmente a identidade do jornal", escreveu o diário Moskovsky Komsomolets.
Enquanto prometendo respeitar a independência dos jornalistas, Berezovsky deixou claro quais são suas simpatias políticas.
Ele disse hoje que considera necessário impedir que o ex-premier Yevgeny Primakov e o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, ganhem a eleição para a presidência da Rússia. Primakov e Luzhkov encabeçam a lista dos políticos mais confiáveis da Rússia e são considerados concorrentes chaves na eleição presidencial do ano que vem, apesar de os dois não terem ainda confirmado que disputarão.
Berezovsky acrescentou que não conseguia ver quem poderia tornar- se o próximo presidente da Rússia, divulgou a Interfax.
Berezovsky, que há muito controla a televisão líder de audiência da Rússia, ORT, o diário Nezavisimaya Gazeta e várias outras empresas de comunicação, recentemente se dispôs a comprar a televisão privada TV-6.


