Berenice deixa reitoria da UEL após gestão marcada por greves
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quinta-feira, 07 de junho de 2018
Isabela Fleischmann<br>Reportagem Local 

Após quatro anos, período em que enfrentou duas greves, a reitora da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Berenice Quinzani Jordão, se despede do cargo e dá lugar ao professor de ciências econômicas Sérgio Carvalho, que foi eleito no dia 12 de abril. Mesmo tendo de "apagar incêndios todos os dias", como definiu Jordão, a reitora considera que a gestão foi positiva.
Logo após a eleição, em abril de 2014, Jordão definiu a luta por autonomia da universidade, reposição de funcionários técnico-administrativos, ampliação do RU (Restaurante Universitário) e construção de um RU para o HU (Hospital Universitário) como os principais objetivos da administração. A única dessas metas que foi cumprida, no entanto, foi dobrar a capacidade de atendimento do RU.
Quanto à autonomia universitária, o sistema implantado pelo governo estadual para as universidades, o Meta-4, que gerencia a folha de pagamento dos servidores, "seguramente nos afetou", queixou-se Jordão. No entanto, ela afirma que a UEL ainda não foi inserida no sistema, mas "não se sabe o que virá pela frente". "Nós continuamos gerando nossa folha de pagamento, portanto não perdemos completamente a autonomia", alegou. "Enfrentamos inúmeras dificuldades, tanto do ponto de vista do cenário que atravessou o País nestes quatro anos, mas também no Estado."
Ela frisa, entretanto, que do ponto de vista estrutural, a universidade evoluiu nestes quatro anos. A reinauguração do Teatro Ouro Verde, aponta, foi uma "conquista". "Construímos a Clínica Odontológica, depois de 50 anos de funcionamento isolado no centro da cidade, incorporada ao campus universitário, com uma condição de trabalho muito superior a do centro", destacou.
Um projeto de uma biblioteca nova com recursos oriundos de emendas parlamentares federais e estaduais e obras na maternidade do HU também foram deixados para a nova gestão. "Elaboramos projetos, licitamos, executamos e as obras de laboratórios de pesquisa e da pista de atletismo, que foi um projeto com captação de recursos do Ministério do Esporte, foram entregues", acrescentou.
A reitora ainda cita avanços na infraestrutura da rede lógica, de telefonia e de segurança da universidade. "Além dessas melhorias de infraestrutura, ampliamos os cursos de pós-graduação, criamos o primeiro curso de graduação à distância, ampliamos o acesso à graduação, aderindo ao Sisu (Sistema de Seleção Unificada)".
Todavia, Jordão não conseguiu que o governo homologasse e nomeasse servidores que foram aprovados em concursos. Ela estima que mais de 800 vagas hoje não estão preenchidas. "A reposição do pessoal a gente não conseguiu porque é uma decisão única e exclusiva do Estado, não cabe a nós", explicou.
De acordo com Jordão, a evolução na democratização do ambiente universitário, na infraestrutura e no diálogo com a comunidade nesses quatro anos levou à "consolidação da UEL como um bem público".
A cerimônia de transmissão de cargo da reitoria será no teatro Ouro Verde neste sábado (9), com início às 18h30.


