Bens de Sérgio Naya podem ter sido vendidos à revelia
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Rio- Os advogados das vítimas do Palace 2 entram hoje com representação junto ao Conselho da Magistratura contra o juiz Alexander Macedo, que atuava como juiz substituto da 4 Vara Empresarial para o processo de indenização das famílias. Eduardo Lutz e Nélio Andrade acusam Macedo de ter autorizado a venda de bens do empresário Sérgio Naya à revelia do Ministério Público (MP) e da associação de vítimas e de ter permitido ainda a transferência de imóveis para prepostos de Naya, usando contratos de gaveta como artifício.
Macedo, que estava de férias em Minas, voltou ontem ao Rio e negou as acusações. Em um dos casos, a venda de um terreno em Belo Horizonte, o juiz mostrou documento assinado pelo promotor Rodrigo Terra, provando que o MP tinha ciência do negócio.
Terra, no entanto, pediu ao juiz titular da 4 Vara Empresarial, Antônio Carlos Torres, que agora está à frente do processo, o levantamento dos bens indisponíveis que Naya foi autorizado a vender.
''A intervenção do MP é indispensável antes da decisão judicial. Seguindo a denúncia das vítimas, vamos saber quais bens tiveram a disponibilidade levantada sem o conhecimento do MP. Essa certidão vai ser a prova que precisamos para que o juiz (Torres) declare nula a venda'', afirmou o promotor.
Macedo garante que só três imóveis foram vendidos e todos com conhecimento do MP e dos advogados das vítimas. Com o dinheiro arrecadado, ele teria indenizado pelo menos duas famílias.
Os advogados das vítimas alegam que somente R$ 873.500,00 referentes à venda de um dos terrenos de Brasília chegaram à conta judicial.
O Palace 2 caiu em 22 de fevereiro de 1998, matando oito pessoas. Trezentas famílias ficaram desabrigadas.


