Bens de fiscal assassinado por quadrilha no Rio são colocados em indisponibilidade
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 12 (AE) - Os bens do fiscal de renda aposentado José Mota de Assis, de 77 anos, assassinado no dia 21 de dezembro, foram colocados em indisponibilidade. Seu corpo foi encontrado no porão do prédio da Rua Taylor, num buraco coberto por lixo e concreto. Há suspeitas de que ele teria sido assassinado por uma quadrilha que seria especializada em matar idosos para ficar com os bens das vítimas. O alerta está sendo passado a todos os cartórios do Estado pelo corregedor-geral do Tribunal de Justiça do Rio, Décio Góes.
A polícia está investigando o envolvimento dos suspeitos em diversos crimes, inclusive no desaparecimento de outras pessoas em pontos diferentes do Estado. Está sendo feito o levantamento do patrimônio do grupo que teria praticado crimes de falsificação de documentos visando a aquisição ilícita de bens, extorsões e roubos de cartões de crédito e bancário de aposentados.
De acordo com as investigações, a suposta quadrilha seria chefiada pela advogada e ex-síndica do prédio da Rua Taylor, Renata de Menezes de Oliveira, de 41 anos. Segundo a polícia, o grupo seria formado ainda Karla Bianca de Oliveira, de 29 anos, o subsíndico Severino Mendes de Oliviera, de 49, o auxiliar de serviços gerais Moacir Marques, de 40, ambos réus confesso da morte de Assis, ocorrida em dezembro do ano passado. Também fariam parte do grupo, afirma a polícia, Márcia Regina Couto da Silva, de 29, e Rosangela Miranda de 38. Todos estão com prisão preventiva decretada pelo juiz da 32ª Vara Criminal do Rio, Roberto Guimarães.
Na denúncia, a promotora Cláudia Perlingeiro, afirma que os réus estão envolvidos em falsificações de documentos visando a aquisição ilícita de bens, extorsões e outros crimes. Afirma, ainda, que a cada integrante da quadrilha cabia uma tarefa determinada e sendo os chefes Nestor Henrique Menezes e Renata Menezes. A advogada nega as acusações. As testemunhas de acusação contra o grupo já foram arroladas pelo Ministério Público (MP) e vão ser ouvidas no dia 29 na 32ª Vara Criminal do Rio.
Detetives da 9ª Delegacia Policial (Catete) estão colhendo informações sobre o suposto desaparecimento do ex-empregado do prédio da Rua Taylor, onde Assis foi assassinado
conhecido apenas como João da Bíblia. Segundo moradores do prédio, João da Bíblia teria sido espancado por integrantes da quadrilha dentro do prédio e o corpo levado para lugar desconhecido. "Eles bateram no João Bíblia até matá-lo e depois sumiram com ele", disse o ex-síndico do prédio José Batizaco da Silva. João da Bíblia teria recebido uma indenização.


