Bengaleses são atraídos por salários
Londrina A reportagem da FOLHA esteve com dois bengaleses que trabalham numa indústria de fabricação de produtos de alumínio na zona leste de Londrina. O contato foi feito diretamente com os proprietários da empesa, que receberam a equipe na última sexta-feira. Abdul Quader, de 44 anos, e Norum Amin, de 29, são irmãos e vieram de Bangladesh no ano passado. Abdul é o que fala inglês com mais fluência. Ele contou que veio ao País em meados do ano passado para trabalhar e que chegou à região mediante a indicação de conterrâneos que já estavam por aqui. Abdul garantiu que nenhuma empresa ou organização o contatou. "Primeiro eu fui para o México, mas não obtive visto. De lá fui para o Peru, Bolívia e depois Brasil", disse. A porta de entrada foi a mesma usada pelos demais bengaleses e haitianos que chegam ao País: Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia. Ele, o irmão e os outros dez bengaleses que trabalham na indústria de alumínios moram em Rolândia, onde residem outras dezenas de conterrâneos. A maioria, afirma ele, trabalha em frigoríficos da região. Abdul afirmou ter ouvido de alguns de seus colegas que o trabalho nos frigoríficos "é muito pesado", mas que eles optam por permanecer no ramo porque querem "ganhar dinheiro".
De fato, os bengaleses que aqui se instalaram são atraídos pelos salários. Os proprietários da empresa de alumínio afirmaram que têm que se policiar para evitar que os bengaleses ali empregados extrapolem as horas extras. "Nós temos uma carga horária estabelecida pelo sindicato da categoria e que é cumprida por todos o funcionários. Mas se dependesse deles (bengaleses), ficariam trabalhando até a empresa fechar", afirma o diretor administrativo, Sandro Janene. "Eles não têm preguiça, não faltam, não simulam atestados. Não temos do que reclamar quanto a isso", prossegue. A reportagem teve acesso às carteiras de trabalho dos bengaleses. Alguns já haviam trabalhado em frigoríficos de Arapongas, Rolândia e Jaguapitã. Abdul e o irmão descobriram a empresa de alumínios pela Caritas Arquidiocesana, que presta auxílio aos imigrantes que chegam à região. Alguns outros conterrâneos foram indicados pela Mesquita localizada na Vila Siam (zona leste), que eles frequentam junto com alguns dos proprietários da empresa. (D.P.)





