Curitiba- Há sete meses, Josimar Saraiva do Pilar, 46 anos, passa pelo menos oito horas por semana trabalhando no jardim, limpeza e serviços de manutenção em uma instituição que cuida de crianças e adolescentes de risco, no bairro Bacacheri, em Curitiba. A diferença entre ele e milhares de pessoas que hoje se dedicam a um trabalho voluntário no País é que Josimar não foi tomado por um sentimento de conscientização social quando iniciou as atividades. Ele faz parte de um grupo responsável por 1,5 mil processos de pequenos delitos que chegam todo ano na Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas da Comarca de Curitiba. Em vez de prisão, recebem pena restritiva de direito, mais conhecida como pena alternativa.
  Há mais de dois anos, Josimar foi acusado de, junto com um amigo do trabalho, furtar vales-transporte em seu trabalho. Na vara, foi condenado a 1.300 horas de prestação de serviços na ONG Associação Cristã de Assistência Social (Acridas), o equivalente a pouco mais de três anos, se ele fizesse o mínimo de oito horas por semana, como prevê a justiça. A pena acabou se transformando em porta de entrada para um novo emprego. Há um mês ele foi contratado pela instituição. Hoje trabalha de segunda a quinta-feira e na sexta comparece para cumprir sua pena.
  ‘‘Quando cheguei aqui, achei que a discriminação seria muito grande. Fui bem acolhido, e o ambiente de trabalho ajuda muito. É um recomeço de vida, sem falar no ambiente em casa que também é muito melhor do que se você estivese em uma prisão’’, compara. Josimar chegou a ficar 36 dias detido em uma delegacia. ‘‘Foi horrível’’, lembra ele, que é casado há 24 anos.(M.G.)

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