Brasília, 04 (AE) - Os mais de 35 milhões de brasileiros que recorrem ao serviço privado de saúde podem demorar a sentir os benefícios previstos pela lei dos genéricos (medicamentos com o nome da principal substância usada na fórmula), como a redução dos preços. Hoje o secretário Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, Gonzalo Vecina Neto, disse que, inicialmente, apenas o setor público deverá difundir o uso de genéricos.
"Não acredito, inicialmente, em genérico de balcão de farmácia", disse hoje, durante debate no Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade), do Ministério da Justiça. Segundo Vecina Neto, o governo está estudando propostas para estimular o consumo de genéricos, entre elas a isenção do ICMs.Atualmente, segundo o secretário, 60% da população não compram todos os medicamentos necessários por falta de dinheiro
A proposta de genéricos foi aprovada no Congresso, mas ainda não foi sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Após a promulgação, as indústrias têm seis meses para adaptar sua produção, de forma que as embalagens tenham além da marca o nome genérico em tamanho não inferior à metade do nome comercial. A lei não obriga os médicos a receitarem genérico, a não ser para os medicamentos usados no Sistema Único de Saúde.
Além disso, Vecina admite que a maioria dos médicos, até por falta de preparo, não vai receitar "diclofenato" em lugar do nome conhecido de marca do antiinflamatório, ou ainda, a "dipirona" em vez daquele nome comercial que está acostumado a prescrever. "Eles, em geral, não sabem usar o genérico", afirmou.

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