Brasília, 23 (AE) - O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), afirmou hoje que considera "muito natural" o novo secretário de Política Urbana, Ovídio de ¶ngelis, ter beneficiado o estado de Goiás na distribuição de verbas da extinta secretaria especial de Política Regional. "Estas denúncias são hipócritas e ridículas. Em qualquer ministério da Esplanada, o estado de origem do ministro é o mais beneficiado. Nada mais natural, desde que seja feito de maneira lícita", afirmou o pemedebista.
Na terça-feira, o deputado Geraldo Magela (PT-DF) acusou ¶ngelis de ter liberado R$ 49,6 milhões para prefeituras na semana em que estava sendo feita a reforma ministerial, sendo que R$ 32,2 milhões foram para 79 prefeituras goianas. O secretário é filiado ao PMDB e foi secretário de Planejamento do estado no governo do hoje senador Maguito Vilella (PMDB). Em função da denúncia, ¶ngelis poderá ser convocado a depor no Congresso Nacional.
De acordo com Geddel, além de natural, o procedimento não é novo. "Quando Itamar Franco foi presidente da República, o tratamento que ele dava a Minas Gerais estava muito longe de ser criminoso. Pelo contrário, o estado recebeu muito carinho", afirmou o parlamentar, se referindo ao atual governador de Minas Gerais, eleito pelo PMDB. "O que importa é saber se foi ou não cometida uma ilegalidade. Se o Ovídio discriminou as prefeituras goianas que não são do PMDB, isto mereceria demissão. Caso contrário, não passa de uma discussão de moral e cívica", disse. Segundo o líder peemedebista, Goiânia, capital do estado governada pelo PSDB, foi o município que mais recebeu recursos.
A informação de Geddel foi confirmada por opositores do PMDB em Goiás. "O Ovídio tem sido solícito com a bancada e com o governo estadual, apesar de ser pemedebista", afirmou a deputada Lúcia Vânia (PSDB-GO), complementando: "Jamais houve qualquer ato discriminatório."
Apesar de não deter nenhum cargo de primeiro ou segundo escalão no governo federal, o grupo político aliado do atual governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), não só não fez pressões para que Ovídio deixasse o governo como ainda trabalhou para que o rival no plano regional ficasse na Esplanada. A explicação é que, fora o PMDB, nenhum outro partido aliado do presidente é forte em Goiás, e a vaga acabaria indo para outro estado.
A linha de defesa do secretário adotada por Geddel não foi seguida por outros membros do PMDB. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (RS), informou por meio de sua assessoria que "a distribuição de recursos para os estados no ministério dos Transportes obedece rigorosamente à proporção que cada unidade da federação possui da malha viária". Padilha negou existir qualquer privilégio para o Rio Grande do Sul em relação a outros estados.
Ainda despachando na secretaria de Políticas Regionais, já que a Secretaria de Política Urbana ainda está sendo implantada, Ovídio de ¶ngelis não fala sobre o caso. Seus assessores confirmaram apenas que o secretário enviou uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso, negando ter usado critérios políticos na distribuição de recursos da secretaria.

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