São Paulo, 03 (AE) - Uma cláusula do contrato de constituição da Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), que dá um desconto de 7,5% no preço da celulose - negociada em toneladas e com preço em dólar - para compradores japoneses, também sócios da empresa, é uma das dificuldades para que o setor de celulose da Vale do Rio Doce seja transformado em uma única empresa. A empresa teria capacidade para produzir, em breve, até 4 milhões de toneladas dessa matéria-prima.
A Vale tem 51,50% do controle da Cenibra. Detém ainda 50% do controle da Bahia Sul, onde tem como sócio o Grupo Suzano, também com 50%. Tem também 99,80% do controle da Florestas Riodoce; e 85% da Celulose do Maranhão (Celmar), que só faz o plantio de árvores.
O executivo Manoel Horácio Francisco da Silva, ex-presidente do setor de papel e celulose da Vale (hoje presidente da Telemar), conseguiu adquirir da Suzano uma participação que a levou a ter 50% do controle, agora gerido pelos dois grupos. Mas não conseguiu avançar quando tentou fundir a Bahia Sul com Cenibra, por causa das dificuldades criadas pela cláusula de privilégio que os japoneses têm no contrato social da Cenibra.
Além disso, a Vale do Rio Doce está no mercado atrás de um sócio estratégico para a Celmar, em fase de instalação na floresta. O maior plano da Vale é produzir celulose com uma fábrica local e ter potencial instalado de 4 milhões de toneladas de celulose, o que tornará seu produto competitivo no mercado internacional.
Uma análise de mercado feita pela Vale leva em conta que o setor fabricante de papel e celulose no País tinha cerca de US$ 8 bilhões em investimentos programados até 2005. Grande parte dos projetos foi postergada por causa das crises internacional e interna.
Estudos apresentados em seminário realizado na semana passada, em São Paulo, mostraram que é preciso que as companhias nacionais de papel e celulose "pensem em desenvolver fusões e incorporações, para se fortalecer". Uma produção maior, integrada e racional reduzirá o custo operacional e tornará o preço dos produtos competitivo no mercado internacional, segundo os estudos. Uma das conclusões do seminário é que "as grandes companhias internacionais do setor de papel e celulose deverão chegar mais fortemente ao mercado nacional, através de associações, incorporações ou fusões".

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