Beneficiários reclamam de atendimento no INSS
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sábado, 03 de fevereiro de 2007
Fábio Galão<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Os beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ainda se queixam da demora na fila de espera das agências, mesmo após o órgão tomar medidas para atenuar o problema. Em janeiro do ano passado, a maioria das agências estendeu o horário de atendimento (passou a ser das 8 às 18 horas, enquanto anteriormente era das 8 às 14), e em junho foram disponibilizados o fone 135 e um serviço na internet para o agendamento de requerimentos e perícias.
Ontem, a FOLHA entrevistou beneficiários do INSS na agência da Rua João Negrão, em Curitiba. ''Melhorou um pouquinho depois dessas mudanças, mas para melhorar de verdade ainda falta muito. Na maioria das vezes, você ainda tem que esperar duas horas'', comentou o aposentado Rubens Brindarolli, 69 anos, que esperava atendimento no setor de informações.
A aposentada Ceni dos Santos, 71, que aguardava no mesmo setor, estava na fila há cerca de uma hora quando foi entrevistada. Ela ainda teria que esperar mais 30 pessoas serem atendidas antes dela. ''Preciso de um comprovante de pagamento do INSS para reduzir o IPTU, que veio caro. O atendimento aqui melhorou, mas só um pouco'', disse Ceni.
A professora Kátia Ramirez, que estava no setor de perícias para remarcar o período de prorrogação do auxílio-doença, esperou cerca de 20 minutos para ser atendida. Não deixou de fazer críticas. ''A pior parte é ficar uma hora numa fila, aí descobrir que você não estava na fila certa, tem que ir para outra, aí vai para uma terceira. Em novembro, tive que esperar atendimento na agência por cinco horas, e não foi a primeira vez. Olha ali a fila para informação: uma pessoa atendendo toda aquela gente. Não adianta aumentar o horário para até as 18 horas se não tem funcionário para atender'', criticou.
O gerente-executivo do INSS na região de Curitiba, Fabrício Monteiro Kleinibing, afirmou que a extensão do horário de atendimento e a disponibilização do 135 e do serviço na internet para agendamento de requerimentos e perícias diluíram a fila de espera nas agências da capital e municípios vizinhos.
''Eu diria que hoje 70% da procura ocorre pela manhã e o restante à tarde. Essa distribuição não é mais equilibrada porque a população ainda não assimilou a mudança'', explicou Kleinibing. ''O tempo médio de espera diminuiu. A média nacional era de 80 pessoas na fila ao mesmo tempo, agora é de 20''.
Entretanto, o gerente admitiu que há muito a melhorar. O principal problema é a falta de servidores. ''Há uma perspectiva de concurso para este ano. O INSS ficou 18 anos sem concurso próprio. Aí, foram realizados dois, em 2003 e 2005. Mas a maior parte das vagas foi direcionada para o interior, onde há menos estrutura. Menos de 10% dos servidores da gerência executiva de Curitiba e região são desses dois últimos concursos. Além disso, há um número muito grande de funcionários que devem se aposentar dentro dos próximos anos'', disse Kleinibing.


