Benedita que Brizola será culpado por eventual derrota da esquerda
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2000
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 24 (AE) - A vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, e o secretário estadual de Planejamento, Jorge Bittar, ambos da Articulação, tendência moderada do PT, deixaram claro hoje que qualquer derrota das esquerdas nas eleições municipais de outubro deverá ser cobrada do ex-governador Leonel Brizola, do PDT. "Não queremos levar o Brizola para o pelourinho, mas ele terá que arcar com as consequências que a nossa desunião poderá trazer", disse Bittar.
Irritada, Benedita disse que seu partido irá sustentar a reedição da política de alianças, que uniu as esquerdas em 1998, mas se isso não for possível o PT terá candidato próprio. "Nós estamos querendo fortalecer a oposição, mas eu não quero que coloquem na conta do PT toda e qualquer decisão que os outros partidos estejam tomando nesse momento", afirmou a vice-governadora.
Brizola não descarta a possibilidade de sair candidato a prefeito do Rio. O líder pedetista tem afirmado também que nunca houve acordo formal do PDT de apoiar a candidatura de Benedita à sucessão municipal.
"Segundo a nossa promessa, ele (Brizola) saiu vice do Lula e eu renunciei o meu mandato para assumir a candidatura de vice de Garotinho", lembrou Benedita, que hoje à tarde formalizou seu nome para disputar as prévias do PT, marcadas para os dias 25 e 26 de março.
Para concorrer as eleições municipais, a vice-governadora terá que vencer nas prévias o deputado estadual Chico Alencar, do Refazendo, grupo de tendência radical, contrário à aliança do PT com Garotinho.
Benedita e Bittar participaram hoje de manhã da cerimômia de lançamento do Orçamento Participativo, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo Bittar, R$ 1,5 bilhão estão incluídos no programa do Orçamento Participativo do Estado - o que equivale a apenas 8% do total do orçamento previsto para 2000, aprovado pela Assembléia Legislativa.
Apesar de o programa ser uma das bandeiras administrativas do PT, apenas integrantes da Articulação, corrente que tem cargos no governo, participaram da solenidade, presidida pelo governador Anthony Garotinho.
A ausência mais sentida foi a do presidente regional do PT, deputado Carlos Santana, peça fundamental no jogo da aliança estadual. À tarde, Santana justificou a ausência por "motivo de doença".


