Rio, 19 (AE) - Um dia após o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecer como legítima a pretensão do PDT de ter candidato próprio a prefeito do Rio, a vice-governadora Benedita da Silva (PT) assumiu hoje sua pré-candidatura ao cargo. Ela afirmou que pretende procurar o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, na tentativa de manter a coligação que foi vitoriosa em 1998 -quando o pedetista Anthony Garotinho foi eleito governador-, agora ameaçada. O PDT já decidiu que terá candidatura própria, o que romperá o acordo entre os partidos para disputar a prefeitura em 2000.
"Vou conversar com o Brizola sobre o nosso processo de aliança", afirmou ela. Além de Benedita, é pré-candidato o deputado estadual Chico Alencar, ligado ao Refazendo, grupo da esquerda do PT. Os dois se enfrentarão em uma prévia, para escolher quem será o candidato do partido a prefeito.
A vice-governadora, ligada à tendência Articulação, de Lula e do presidente nacional do PT, José Dirceu, disse que conversou com os dois dirigentes petistas antes de anunciar publicamente a pré-candidatura. Brizola tem dito que em 1998 não foi firmado nenhum acordo sobre 2000, mas a vice-governadora exibiu, na entrevista, recortes de jornais em que o pedetista se comprometia a apoiá-la. Em um deles, de uma notícia do "Jornal do Brasil" de maio de 1998, Brizola dizia não abrir mão da candidatura Benedita este ano.
A petista não demonstrou ter ficado impressionada pelas declarações de Garotinho, que se disse surpreso com as afirmações de Lula reconhecendo o direito de o PDT ter candidato próprio e ameaçou retirar o apoio. "Quem tem um aliado desses não precisa de adversário", disse o governador, por telefone, a Benedita. Ele reclamou que o petista dera declarações muito diferentes da conversa que tinham tido ontem (18). "Se o Brizola e o Lula, que selaram o acordo, consideram que ele não existe mais, não serei eu que ficarei defendendo", afirmou, dizendo que apoiará "o que o partido decidir." "O que vale é o que o Garotinho disse para mim", declarou Benedita, que continua a confiar no apoio do pedetista.
Brizola ironizou as afirmações da pré-candidata petista. "É claro que eu vou ter o maior prazer em receber a Benedita, como tantas vezes eu fiz", afirmou. "Mas acho que, desta vez, vou ter de tomar o cuidado de conversar com ela na frente de várias testemunhas isentas, quem sabe até mesmo dos jornalistas." O presidente pedetista disse que nunca negou que Benedita poderia ter seu apoio, mas insistiu que essa decisão nunca foi "tomada nem reclamada" pelo PDT.
"Ela poderia, e poderá até mesmo vir a ser, se conseguir ser a candidata do PT e passar para o segundo turno. Mas, nesse ponto, eu tendo a concordar com o que me disse Garotinho, ao afirmar-me que a candidatura dela é inviável." Brizola afirmou ainda que "tudo está sendo tratado de maneira irresponsável" e
numa alusão ao governador, com quem está em confronto no PDT, advertiu a vice-governadora para que sua candidatura não sirva "de instrumento para outros interesses, até mesmo fora de seu partido, para semear intrigas e desuniões, só pela ambição de cargos e poder".

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