A saudação amigável do escritório de imigração inglês, na verdade, tenta disfarçar o indisfarçável: o imigrante que é levado ao Centro de Detenção de Curta Duração de Colnbrook está preso na Inglaterra até que seja embarcado de volta para seu país de origem. Foi o que aconteceu com o contador morador em Ibiporã, Leopoldo Ribeiro Feria, 26 anos, no início de maio.
  Em 8 de maio, ele embarcou para sua primeira viagem internacional levando na bagagem o sonho de rever parentes que residem em Londres e, de quebra, conhecer uma outra cultura gastando pouco dinheiro. Só que o que seria puro turismo acabou em pesadelo e prisão. Ele desembarcou no aeroporto de Heathrow pouco depois das 15 horas e de lá só saíria às 4 horas da manhã direto para o tal centro de detenção de Colnbrook.
  Depois de sofrer humilhações diversas dos agentes de imigração inglesa, que não acreditaram que ele permaneceria como turista no país mesmo após apresentar a documentação de que tinha emprego fixo no Brasil e que tinha cerca de R$ 15 mil para gastar, Feria foi colocado em um camburão de polícia e levado para Colnbrook. ‘‘A imigração não acreditou que eu tinha condições financeiras de bancar a viagem’’, comentou o contador.
  Já no Centro de Detenção, o brasileiro foi colocado em uma cela com chapas de aço e janela com grades e vidro blindado. Sem documentos, sem bagagem, sem banho, sem alimentação e sem a menor noção do que acontecia, ele permaneceu preso até o meio-dia no dia seguinte. Recebeu apenas o tal manual de como deveria proceder com os outros detidos, os funcionários e quais serviços poderia utilizar.
  Depois, Feria foi novamente colocado numa viatura policial e levado de volta para o Aeroporto, onde tomou um vôo para Madrid. Na Espanha, mais constrangimento. ‘‘Saí escoltado por policiais, me jogaram num camburão e me deixaram trancado numa sala do aeroporto’’, contou o contador brasileiro. Somente embarcaria de volta para o Brasil, a 0h30 do dia seguinte. Apenas em São Paulo, teve de volta seus documentos, dinheiro e bagagens.
  Mas como um bom brasileiro, Feria não desistiu e quer voltar a Londres para provar que não tem nada a dever. ‘‘Quero mostrar que meus motivos eram lícitos e quero voltar porque não fiz o que fui fazer’’, comentou. Para ele, os problemas de humilhações contra viajantes é reflexo da falta de preparo dos agentes de imigração em conter a onda de imigrantes que chegam à Europa, após a criação da União Européia.
  ‘‘Só que nós não podemos pagar por um problema que é deles’’, critica o contador que, além das lembranças desagradáveis, guarda as quatro fotos que fez de Londres pela janela do avião. Mas ainda que tenha tido só má recordações da Inglaterra, ela ainda mantêm o bom humor: ‘‘pelo menos, agora posso participar da comunidade do Orkut ‘‘Os deportados de Londres’’.

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