Lisboa, 10 (AE-ANSA) - O general indonésio Wiranto deve ser julgado por um tribunal internacional, afirmou hoje (10) numa entrevista à rádio BBC, o prêmio Nobel da Paz, o bispo de Dili, Carlos Belo. Para o bispo, o exército de Jacarta é o responsável pela matança desencadeada contra os católicos de Timor Leste. Belo disse que está convencido de que o ministro da Defesa indonésio, general Wiranto, deve ser o primeiro a ser julgado e "depois deverão ser julgados os chefes das milícias da província". O prêmio Nobel da Paz acrescentou que "não tem nenhuma dúvida sobre a responsabilidade dos altos oficiais militares da Indonésia na violência desencadeada na ex-colônia portuguesa", depois do referendo de 30 de agosto. O bispo de Dili chegou hoje (10) à Lisboa, onde faz uma parada antes de seguir para o Vaticano para encontrar-se com o papa João Paulo II. Belo foi recepcionado no aeroporto pelo presidente português Jorge Sampaio e pelo primeiro-ministro Antonio Guterres. Centenas de pessoas também se dirigiram ao aeroporto internacional de Lisboa para receber o líder espiritural do Timor Leste. Logo após o desembarque, o bispo fez um novo apelo para que uma força internacional de paz seja enviada ao território para deter as atrocidades cometidas pelas milícias e soldados indonésios. "É possível verificar claramente que está havendo um genocídio, uma limpeza étnica, nas vilas e cidades onde moravam os partidários da independência", disse. "Quando Xanana Gusmão chegar no Timor Leste como presidente, ele encontrará apenas árvores, plantas, pedras e animais. Ele não encontrará timorenses", acrescentou o religioso. José Alexandre Xanana Gusmão, o carismático líder do movimento de independência da província, é o mais cotado para tornar-se o primeiro presidente do Timor Leste.

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