Belo confirma que 25 foram massacrados no Timor
Jacarta, 07 (AE-REUTERS) - O líder espiritual do Timor Leste, bispo Carlos Belo, confirmou hoje a morte de 25 pessoas num ataque das forças pró-Jacarta ontem no território.
Os militares indonésios negaram o massacre.
Belo disse que 25 pessoas foram mortas numa igreja e que o ataque o fazia lembrar do massacre de 1991 na capital do Timor Leste, Dili, um dia negro para o governo de Jacarta.
"Alguns dizem 57, 20, 25 ou cinco e eu digo 25", afirmou o bispo, depois de visitar a igreja em Liquisa, 30 quilômetros a oeste da capital. Ele se disse envergonhado de ser cidadão indonésio ao ver as cenas do massacre.
O massacre de 1991 ocorreu quando tropas atiraram numa marcha fúnebre matando 200 pessoas, segundo os timorenses. Segundo o governo indonésio, 50 pessoas morreram. O episódio manchou a reputação de Jacarta e colocou o Timor Leste em evidência mundial novamente.
Há dois dias, o líder separatista Xanana Gusmão conclamou uma insurreição popular contra o domínio de Jacarta no Timor Leste, mas hoje (07) ele negou que estivesse declarando guerra à Indonésia.
"Vocês estão errados se disserem que eu declarei guerra contra a Indonésia, nunca!", disse Gusmão à imprensa depois de se encontrar com a enviada especial de Portugal para a Indonésia, Ana Gomes.
Gusmão, capturado em 1972, encontrou Gomes na residência em Jacarta onde cumpre prisão domiciliar.
Perguntado sobre a suas expectativas quanto ao tipo de ação dos combatentes da resistência, Gusmão disse que eles ajudariam os timorenses a se defender.
Ana Gomes, representante de Lisboa em Jacarta na ausência de laços diplomáticos, disse que Portugal não considera que Gusmão tenha declarado guerra à Indonésia na segunda-feira.
A Indonésia invadiu a ex-colônia portuguesa em 1975 anexando-a em 1976, num lance nunca reconhecido pela Nações Unidas.
O primeiro-ministro português Antonio Guterres reiterou seu apelo pela presença da ONU no Timor Leste para instaurar a paz e criar condições para que o povo do Timor Leste decida sobre seu futuro.
"Temos que insistir na intervenção das Nações Unidas para que o processo de paz não seja interrompido, como está sendo", disse ele à rádio TSF, referindo-se à última onda de violência na antiga colônia portuguesa.
O governo português condenou o ataque da última segunda- feira. "Parece plausível que os timorenses tenham sido massacrados", disse o primeiro-ministro. "É possível que as milícias armadas pela Indonésia estejam desencadeando uma campanha de terror com o objetivo de impedir as conversações de paz", acrescentou.





