Belgrado pressiona líderes albaneses para o diálogo
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sábado, 14 de março de 1998
France Presse 
France PresseAlbanês observa pichação como slogan sérvio: Isto é SérviaO poder iugoslavo pressiona os dirigentes albaneses de Kosovo para que aceitem o diálogo, animado pela determinação ocidental de não aceitar sua luta pela independência, mas as autoridades sérvias se recusam, no momento, a uma mediação internacional e qualquer debate sobre uma autonomia política da província.
O Governo sérvio reiterou anteontem à noite o convite ao presidente da república autoproclamada de Kosovo (Sul da Sérvia), Ibrahim Rugova, para que inicie as conversações e marcou uma entrevista para amanhã para que este se reúna com uma delegação governamental em Pristina, capital da província.
Os albaneses ignoraram duas vezes consecutivas, na quinta e sexta-feira, o chamado da delegação, dirigida pelo vice-primeiro-ministro, Ratko Markovic, um especialista em questões constitucionais.
Ontem foi considerado pouco provável, em Pristina, que a direção nacionalista albanesa respondesse a esse novo chamado. Rugova mantém sua exigência máxima, a independência da província, e se recusa a discutir com um regime que considera os albaneses como uma minoria no âmbito da Sérvia, enquanto eles lembram que são majoritários em 90% na província.
A União Européia inclui em sua estratégia de pressão incessante sobre o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic os esforços para levar os albaneses kosovares a se sentar à mesa de negociações.
Os Quinze descartaram formalmente ontem, em Edimburgo, qualquer idéia de independência de Kosovo. A UE pediu a Rugova que aceite o diálogo com Belgrado, mas ao mesmo tempo considera a oferta dos sérvios insuficiente.
Desejamos uma oferta muito mais significativa que dê mais substância às discussões sobre a autonomia de Kosovo, informou Robin Cook, secretário de Estado do Foreign Office (ministro das Relações Exteriores britânico), cujo país ocupa a presidência semestral da UE.
Cook mostrou sua inquietação em relação à atitude de Rugova, ao declarar que teria sido preferível que os representantes albaneses não tivessem respondido negativamente de forma imediata. Mas, posso entendê-los. Querem obter mais e manter a pressão sobre Belgrado, que suprimiu em 1989 o estatuto de autonomia de Kosovo após 15 anos de existência.
Zoran Lilic, vice-primeiro-ministro iugoslavo, declarou na quinta-feira que as autoridades sérvias estavam dispostas a discutir a concessão a Kosovo do maior grau de autonomia, seguindo o exemplo das soluções existentes em outras partes do mundo.


