Belgo-Mineira controladora tem lucro de R$ 66,3 milhões
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Renato Andrade 
Belo Horizonte, 01 (AE) - A Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, controladora do grupo Belgo - e que tem seus papéis negociados em bolsa - registrou um lucro líquido de R$ 66 3 milhões no ano passado. O resultado é 25% superior ao registrado em 1997. O lucro líquido consolidado do Grupo foi de R$ 99,3 milhões, 30,3% superior ao registrado no exercício de 1997.
A receita líquida da siderúrgica foi de R$ 488,8 milhões
o que significou um crescimento de 8,3% sobre a receita líquida apurada em 1997. Foram comercializadas 1,066 milhão de toneladas de produtos frente a 967,5 mil toneladas vendidas no ano anterior. O lucro operacional da empresa saltou de R$ 34,4 milhões apurado em 1997 para R$ 54 milhões no ano passado.
Dentro do lucro consolidado do grupo os acréscimos mais significativos foram nos setores de siderurgia e trefilação. O lucro do setor de siderurgia passou de R$ 9,7 milhões em 1997 para R$ 34,9 milhões no ano passado. O setor de trefilaria saiu de um prejuízo de R$ 22,9 milhões para um lucro de R$ 15,2 milhões.
O terceiro setor de atuação do Grupo é o de mineração, que registrou uma pequena redução em seu lucro de 1998 se comparado com o ano anterior. O setor apurou um lucro líquido de R$ 44,7 milhões em 1998 contra um lucro líquido de R$ 49,3 milhões no ano anterior. "Nosso lucro em 1998 foi de melhor qualidade já que não alteramos tanto a nossa receita mas ganhamos em redução de custos", explica o presidente da siderúrgica, Antônio José Polanckyz.
Na próxima AGE da empresa, no dia 7 de abril, a diretoria vai propor uma remuneração aos acionistas no valor total de R$ 20,6 milhões. Este valor corresponde a 30% do lucro líquido ajustado, representando R$ 4,5 por lote de mil ações ON e R$ 4,95 por lote de mil ações PN. Do total a ser pago aos acionistas, R$ 12 milhões serão distribuídos sob forma de juros sobre capital próprio. O restante - R$ 8,6 milhões - será constituído sob forma de dividendos.
As despesas de vendas, gerais e administrativas foram reduzidas de R$ 51,16 milhões para R$ 43,870 milhões. As despesas financeiras saltaram de R$ 4,48 milhões para R$ 23,158 milhões no ano passado, em decorrência dos investimentos e aquisições feitas pela companhia.
Ao todo, o Grupo Belgo-Mineira investiu em 1998 cerca de R$ 399,5 milhões, sendo que deste total a maior parte - R$ 83 milhões - foram investidos na construção do novo alto-forno da unidade de João Monlevade, que deve entrar em operação no final deste ano. Para este exercício a siderúrgica deve investir cerca de R$ 165 milhões.
A Belgo-Mineira fechou o exercício do ano passado com um patrimônio líquido de R$ 1,564 bilhão, e um endividamento de R$ 243 milhões (dívida líquida). Deste total cerca de R$ 172 milhões são em moeda estrangeira.
Com a desvalorização do real e as perspectivas de aumento na receita de exportações, a diretoria Financeira da siderúrgica optou por fazer um hedge natural desta dívida. "Os custos de hedge eram muito altos por isso optamos pelo hedge natural", explica o diretor Financeiro e de Relações com o Mercado da empresa, Francelino Maranhão.
Em 1998 as empresas siderúrgicas do grupo (Belgo-Mineira
BMP - Mendes Júnior - e Dedini) exportaram 274 mil toneladas e apuraram uma receita líquida de R$ 116,4 milhões. Para 1999 estas empresas esperam exportar 500 mil toneladas de produtos laminados, que devem corresponder à uma receita líquida de cerca de R$ 200 milhões. Só a controladora exportou em 1998 cerca de 166 mil toneladas que somaram uma receita líquida de R$ 70 milhões.
Segundo Maranhão a empresa volta, ainda neste primeiro trimestre, a fazer uma nova oferta pública para compra de ações de minoritários da Cimaf, para posterior fechamento de capital da empresa. A primeira oferta pública não foi aceita por todos os minoritários da empresa.
A empresa optou então a ir ao mercado comprar as ações, pagando à época R$ 100 por lote de mil ações. "Adquirimos mais de 40% do capital da empresa através de negócios na Bolsa e agora devemos fazer uma nova oferta pública para comprar os cerca de 10% restantes de ações que ainda estão com os minoritários", explica Maranhão.


