Londres, 01 (AE-AP) - Seis grupos defensores dos direitos humanos somaram-se hoje (01) à Bélgica para apelar contra uma decisão do alto tribunal britânico que mantém em segredo o exame médico do ex-ditador chileno Augusto Pinochet.
A Anistia Internacional e outras cinco organizações solicitaram uma revisão judicial diante de um painel de juízes do alto tribunal. O apelo deverá ser julgado na próxima semana.
Ontem, um dos juízes do tribunal rechaçou um pedido da Bélgica e dos grupos de direitos humanos que questionavam o segredo do informe médico, que determinou que Pinochet está incapaz de se submeter a julgamento na Espanha, onde é acusado de abusos dos direitos humanos.
O secretário do Interior britânico, Jack Straw, disse que não decidirá sobre o caso até que se esgotem as instâncias judiciais. Mas há alguns dias ele anunciou que está inclinado a permitir que o general, de 84 anos, regresse a seu país baseando-se em um exame médico feito por uma equipe independente.
Além da Espanha e da Bélgica, França e Suíça também pediram a extradição do general em nome dos cidadãos de seus países que denunciaram a morte ou prisão de seus familiares no Chile. Mas apenas Bruxelas apelou da decisão.
A Bélgica e as seis organizações desejam inspecionar o exame médico antes da decisão definitiva de Straw, mas o secretário negou-se a apresentá-lo, evocando o direito de Pinochet ao sigilo médico.
Em sua decisão, o juiz Maurice Kay desestimou os argumentos da Bélgica e sustentou que os grupos de direitos humanos não têm incumbência no caso.
Pinochet foi detido durante uma visita à Grã-Bretanha em outubro de 1998, quando se recuperava de uma cirurgia em um hospital de Londres. Um relatório do governo chileno afirma que 3.197 pessoas morreram ou desapareceram durante a ditadura encabeçada pelo general (1973-90)