Belgas analisam movimento sindical e cooperativas
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sexta-feira, 10 de novembro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
Um grupo composto por seis integrantes de movimentos operários, cooperação internacional, meio ambiente, agricultura sustentável e educação da Bélgica esteve ontem em Curitiba para conhecer os movimentos urbanos e ambientais da capital paranaense. A equipe belga está fazendo uma análise dos movimentos brasileiros sindicais, políticos, ambientalistas e de cooperativas e pretende fazer um intercâmbio com o PT de Porto Alegre e com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), considerado como o maior movimento social brasileiro.
O líder do grupo, Dirk Ameel, diretor do Sindicato dos Empregados Técnicos e Funcionários de Escritórios da Bélgica, contou que a viagem está sendo patrocinada por uma organização belga não-governamental, chamada Irmãos dos Homens. Os belgas chegaram ao Brasil no dia 28 de outubro e deverão deixar o País amanhã.
Até agora foram visitados municípios de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Em Porto Alegre, o que mais chamou a atenção foi a democracia social através da implantação do orçamento participativo. Não temos nada parecido com isso lá. O orçamento participativo é um impulso não conhecido na Europa. É fazer com que o povo possa decidir sobre parte da verba do governo. Esse é um processo novo e poderá auxiliar no nosso intercâmbio, declarou Ameel, falando que a experiência poderá ser aplicada em várias cidades da Bélgica.
Em Santa Catarina, foi visitado o município de Chapecó, onde foram vistas iniciativas em relação à agricultura. Nesse ponto podemos ajudar o Brasil. Temos uma agricultura sustentável, com base na diversificação de produtos e atividades, disse.
No Paraná, foram visitados os municípios de Sarandi (sete quilômetros a leste de Maringá), Laranjeiras do Sul (109 quilômetros a oeste de Guarapuava), Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a oeste de Guarapuava) e Curitiba. No interior, eles visitaram assentamentos do MST e cooperativas agrícolas.
Na Bélgica temos pouca agricultura, mas fazemos de forma eficiente. No entanto, o MST tem cumprido o seu papel. Ele tem um projeto de sociedade que parece próximo aos nossos movimentos sindicais. Está preocupado com questões políticas e poderá ser uma alternativa para a diminuição da pobreza no Brasil, disse ele, ao apresentar dados de que o Brasil é a oitava maior potência mundial em termos de economia, mas está na penúltima colocação em relação a divisão de emprego e renda. Na área de saúde, o País estaria na 164ª colocação.


