Londrina - A menina que brincava com os acessórios e espelhos que surgiam no meio do lixo reciclável e fazia das ruas passarelas para desfilar com as amigas hoje é uma das finalistas do concurso Top Cufa 2012. Um desejo alimentado por muitas garotas que vivem nas periferias do Brasil, mas que nem sempre veem o sonho tão perto de ser realizado.
É por isso que a história da londrinense Dayane Larissa Rodrigues, que sempre viu a vontade de ser modelo profissional misturada ao trabalho de recicladora, pode ser considerada uma verdadeira conquista. Aos 22 anos, a garota irá representar o Paraná, após ter vencido a etapa estadual no dia 11 de agosto, em Curitiba. E agora está a poucos passos de ganhar a fama por toda sua beleza. No dia 14 de setembro, ela embarcará rumo ao Rio de Janeiro para concorrer na etapa nacional, com 26 representantes de outros estados.
O concurso que irá escolher a mais bela garota das comunidades brasileiras é promovido pela Central Única de Favelas (Cufa), em parceria com uma marca de produtos de beleza e higiene pessoal. A vencedora assinará um contrato com a Agência Cufa Models, ganhará um book de fotos e ainda terá um ano de produtos grátis de beleza, higiene e limpeza pessoal.
''É meu grande sonho vencer este concurso. Me sinto preparada'', conta Dayane, durante entrevista em sua casa, que fica na Vila Casoni, próximo à favela da Vila Marízia, Região Central. No quintal da pequena residência, a família tem o ganha-pão. São inúmeras sacolas de materiais recicláveis recolhidos em seis bairros da cidade.
Todos os dias, a família desperta cedo e às 7 horas já está nas ruas enchendo o caminhão que seguirá para uma cooperativa, onde os recicláveis serão triados e vendidos. Dayane recolhe as sacolas deixadas pelos moradores nas ruas desde os 12 anos e muitas vezes também dirige o caminhão. ''O pessoal já me conhece, pois trabalho desde pequena com meus pais. Eles brincam dizendo que eu deveria ser modelo porque sou alta e magra'', diz, revelando certa timidez.
Mas não demora muito para Dayane confessar que também recebe muitos elogios durante a jornada de trabalho. ''Eles sempre falam que sou bonita, mas tem muito respeito também'', comenta ela, que prefere dizer que esses ''admiradores'' são na verdade ''seus grandes torcedores''.
A mãe Fernanda Fernandes Cruz, de 38 anos, não esconde o orgulho pela conquista da filha. ''Ela já é uma vitoriosa. Ela representa bem o Paraná, mas foi uma jornada de muita dedicação e determinação'', afirma Fernanda, que sempre incentivou a vontade de Dayane. ''Com 6 anos, ela já pedia para ser modelo. Todas as brincadeiras dela remetiam ao universo da moda, das modelos. Mas eu esperei ela ter 9 anos para inscrevê-la em uma escola'', conta.
A formação no curso de Manequim e Modelo foi primordial para que Dayane participasse do Top Cufa. ''Eu não tinha ligação com a Cufa de Londrina, mas por ter feito o curso minha professora me informou sobre o concurso e me ajudou no processo de inscrição'', explica. Ao todo, foram 32 meninas que disputaram a final no Paraná com Dayane. ''Gosto da minha altura. Quando era criança, tinha vergonha, mas agora acho que é meu ponto forte'', revela.
Com 1,80m de altura e 58 quilos, Dayane é uma forte concorrente para ser a mais bela das comunidades do Brasil, até porque, além da beleza, Dayane tem humildade em afirmar que gosta do que faz e deixa o deslumbramento para depois. ''Quero muito ser modelo profissional, mas também não quero deixar de fazer faculdade de Direito'', afirma a garota, que simboliza muito mais do que a beleza. Ela representa o desejo de muitas meninas que cresceram com um sonho e nunca deixaram de acreditar nele.


Beleza que vem das ruas
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