A Belagrícola, distribuidora de insumos agrícolas e comercializadora de grãos com filial em Londrina, suspendeu pagamentos a credores e a fixação de grãos com produtores por até 60 dias. A 11ª Vara Cível e Empresarial de Londrina concedeu uma tutela cautelar à empresa no dia 10 de outubro, garantindo dois meses para que o caixa seja reestruturado.

O processo corria sob sigilo até está terça-feira (21), quando foi tornado público e a FOLHA teve acesso. Conforme o documento oficial, a empresa justificou a urgência da medida em razão de dívidas vencidas e a vencer, que podem levar a “execuções e constrições milionárias, resultando ao final na ausência de operabilidade do Grupo Belagrícola”.

Foi alegado ainda que alguns credores já teriam iniciado medidas com a finalidade de satisfação de seus créditos, “sendo que alguns possuem disponíveis mecanismos de autotutela extrajudicial capazes de causar impactos financeiros e operacionais ao Grupo”.

‘Desafios econômicos e climáticos’

A Belagrícola é uma das maiores empresas do seu ramo no Brasil, tendo 52 pontos de revenda e 58 unidades de recebimento, padronização e armazenagem, com capacidade estática de estocagem de mais de 1 milhão de toneladas. Com atuação no Paraná, São Paulo e Santa Catarina, oferece soluções a mais de 10 mil produtores rurais. É controlada pelo grupo chinês Pengdu desde 2017.

A distribuidora informou que, nos últimos anos, tem sido impactada por desafios econômicos e climáticos, como quebras de safra, juros altos, restrições de crédito e inadimplência elevada – a maior da história do setor. A proteção temporária contra cobranças de credores integra um processo de reorganização financeira, com a Belagrícola garantindo que as filiais seguem operando normalmente com distribuição de produtos e novas vendas, e que apenas a fixação de grãos permanece suspensa.

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A medida também contempla as demais requerentes, criadas ao longo dos anos por meio de cisões parciais da empresa. São elas: Bela Sementes, DKBR Trading, a Landco e a DBR. Conforme antecipado pelo portal AgFeed, não foram envolvidas na cautela outras companhias controladas pelo Pengdu, como a rede mato-grossense Fiagril.

O que levou à crise

Na solicitação ao Juízo, a Belagrícola apresentou razões das crises financeiras enfrentadas pelas requerentes, que levaram a uma considerável redução de seu faturamento na safra 2023/2024. O exercício com receita total foi encerrado em R$ 4,4 bilhões, 39% inferior ao apurado na safra anterior. O Grupo apresentou resultado líquido negativo superior a R$ 400 milhões.

O advogado elencou os desafios dos últimos dois anos, sendo a guerra entre Rússia e Ucrânia; quebra parcial da safra 2023/2024; volatilidade do preço das commodities; forte queda nos preços dos insumos e commodities agrícolas, que trouxeram desafios quanto à geração de faturamento bruto; crescente alta da taxa de juros no Brasil; alta da inadimplência no setor; e a tarifa imposta pelos Estados Unidos ao Brasil.

Em nota, a empresa informou que a medida foi pautada “pelos melhores interesses de seus clientes, colaboradores e fornecedores, minimizando ao máximo os impactos desse necessário processo de reorganização”. Pontuou ainda, no documento oficial, que não pretende apelar a uma recuperação judicial, esperando que “os esforços e medidas que vem implementando há meses assegurarão uma solução consensual para seu passivo financeiro, evitando, assim, os desgastes e custos” do processo.

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