Beira-Mar fica em sp por tempo indeterminado
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terça-feira, 06 de maio de 2003
Das agências 
Brasília - O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, permanecerá por tempo indeterminado na penitenciária de Presidente Bernardes (SP), para onde foi transferido na madrugada de ontem. A informação foi divulgada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. ''Não houve negociação, o que houve foi aquiescência (consentimento) do governador de São Paulo (Geraldo Alckmin).''
Ministro e governador conversaram no último domingo sobre o assunto, de acordo com Bastos. Alckmin afirmou, na ocasião, que vai aderir ao Susp (Sistema Único de Segurança Pública). Isso significa que, na prática, será criado um Comitê de Gestão Integrada, como foi feito no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo. A função do comitê é institucionalizar diálogo e decisões conjuntas de polícias estaduais e federais, Ministério Público e representantes do Judiciário.
A adesão ao Susp não vai se traduzir em repasses de verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública para São Paulo. O Estado aguarda a liberação de R$ 10 milhões empenhados pelo governo Fernando Henrique Cardoso e ainda não possui plano de combate ao crime. Só com o plano o dinheiro é liberado.
O Orçamento do fundo para este ano é de R$ 404 milhões, que ainda permanecem bloqueados pelo governo. O primeiro Estado a receber repasse será o Rio de Janeiro, cuja situação é considerada emergencial pelo ministério. Amanhã, o ministro anuncia a liberação de R$ 40 milhões.
Segundo o ministro Thomaz Bastos, o tratamento que Beira-Mar receberá das autoridades paulistas estará em conformidade com a lei. O traficante passou 39 dias em Maceió (AL), na superintendência local da Polícia Federal. Antes disso, Beira-Mar já havia passado 29 dias em Presidente Bernardes, penitenciária paulista considerada de segurança máxima.
Durante as seis horas de viagem entre Maceió e Brasília, onde o avião Caravan da Polícia Federal parou para abastecer, Beira-Mar tinha uma preocupação e uma certeza. Queria saber dos agentes que o escoltavam como estava a onda de violência no Rio de Janeiro. Além disso, esperava ser transferido para o Espírito Santo. Depois da notícia de que seu destino era Presidente Bernardes o sorridente e falante Beira-Mar se calou e passou o resto da viagem de cabeça baixa.


