Em um depoimento de mais de três horas em que fez ironias e insinuações contra os deputados, o traficante Luiz Fernando da Costa, 33, o Fernandinho Beira-Mar, chegou a indicar uma ligação do tráfico de drogas ao de armas, a corrupção de policiais e o poder de lobby dos ‘‘peixes grandes’’.
O traficante foi convidado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara para falar sobre o tráfico internacional de drogas.
Apesar de manter a posição de não delatar nomes de colaboradores do tráfico -Beira-Mar disse não ter vocação de alcaguete mais de 20 vezes-, o traficante chegou a acusar diretamente um delegado da Polícia Civil de Minas Gerais.
Segundo Beira-Mar, o delegado o extorquia, chegando a cobrar US$ 120 mil antes de sua prisão, em 1996.
De acordo com o traficante, a corrupção é paralela ao tráfico de drogas. ‘‘O tráfico corrompe nos altos escalões do governo’’, contou ao deputado Nelson Pellegrino (PT-BA). Beira-Mar disse que as polícias do Rio e de Minas estão ligadas com o tráfico.
Para ele, a polícia do Rio é conivente e extorque os traficantes. ‘‘Não tem que ser hipócrita. Todo mundo sabe quem são os grandes’’, disse Beira-Mar no final do depoimento, após receber injeção de Voltaren. Ele se recupera de uma cirurgia que fez no braço direito.
Segundo ele, ‘‘os grandes’’ não foram pegos e não serão porque têm muito poder econômico e de lobby. ‘‘Sou homem e jamais ‘‘alcagoetaria’’ um policial ou um deputado que me ajudou’’, disse o traficante. ‘‘Quantos já estiveram no mundo do crime, usaram drogas e pararam e hoje são deputados? Vários’’, disse Beira-Mar.

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