Beira-Mar é transferido para PF de Maceió
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quinta-feira, 27 de março de 2003
Agência Folha 
São Paulo - Numa operação da Polícia Federal que durou cerca de 11 horas e envolveu helicópteros e um avião monomotor, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, 34, um dos líderes da facção criminosa CV (Comando Vermelho), foi transferido ontem do presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes (SP) para a carceragem da Superintendência da PF em Maceió (AL). Beira-Mar deixou o interior paulista às 8h e pousou em Alagoas por volta das 17h45.
O traficante carioca permaneceu 29 dias em uma cela isolada do CRP (Centro de Readaptação Penitenciária) de Presidente Bernardes. O prazo estipulado pelo governo de São Paulo para a sua permanência venceria hoje. Beira-Mar deve permanecer em Alagoas por pelo menos 40 dias, até que as obras na penitenciária de Teresina (PI) sejam concluídas. O presídio será o primeiro do país a ser federalizado, segundo o Ministério da Justiça.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou das negociações da transferência com o governador do Estado, Ronaldo Lessa (PSB). De acordo com o governador, em contrapartida Alagoas terá prioridade no programa de segurança pública do governo federal.
Ontem, o traficante carioca desembarcou em Maceió sob fortes protestos dos alagoanos. Enquanto as rádios locais abriram sua programação para expor o temor da população, os senadores do Estado Heloísa Helena (PT), Renan Calheiros (PMDB) e Teotônio Vilela (PSDB) divulgaram um documento de repúdio à transferência.
No aeroporto de Maceió, soldados da Aeronáutica fortemente armados, ao lado de policiais militares e federais, cuidaram da segurança do local. Na pista, havia três carros e um helicóptero da PF, que o levou para a sede da superintendência.
Beira-Mar ficará preso na nova sede da PF, inaugurada há dois anos. No local, há dez celas individuais. A PF alagoana conta hoje com um efetivo de 120 homens, mas receberá outros 60 agentes a partir de hoje. O reforço de policiais federais permanecerá até que o traficante deixe o Estado.
Em Presidente Bernardes, durante quase um mês, Beira-Mar ficou na ala de isolamento do presídio e teve negada uma série de regalias, como visita íntima e comida de restaurante.
Por volta das 11h20, o monomotor Cessna Caravan da PF aterrissou em Brasília (DF), onde permaneceu por 40 minutos para reabastecimento. Nesse intervalo, algemado, Beira-Mar deixou o avião e entrou em uma ante-sala do aeroporto. O Cessna Caravan deixou o Distrito Federal às 12h, pousando em Maceió cerca de seis horas depois.
O advogado de Fernandinho Beira-Mar, Lydio da Hora, disse que a transferência do cliente ''foi arbitrária''. Segundo ele, a medida feriu a Lei de Execução Penal porque foi feita sem a autorização de um juiz de execuções penais.


