A Beija-Flor confirmou seu favoritismo, conquistou o título de 2007 e reconquistou a hegemonia do Carnaval carioca nesta década. É o quarto título da escola de Nilópolis nos últimos cinco anos e o décimo em sua história.
Última das 13 agremiações do Grupo Especial a desfilar, a Beija-Flor conquistou o público do Sambódromo com o enredo ''Áfricas: do berço real à corte brasiliana''. E conquistou também os jurados: ficou 14 décimos à frente da segunda colocada, uma larga diferença.
Com o maior orçamento deste ano (R$ 7 milhões), a Beija-Flor foi muito luxuosa, especialmente nas alegorias. Mas não se resumiu a isso: muitas das fantasias eram de material simples, como palha e chita, mas que produziram um grande efeito na avenida.
A tradicional empolgação dos componentes -a grande maioria de Nilópolis- e o samba-enredo eficiente foram outros trunfos. Só cinco jurados tiraram pontos da escola, um de cada quesito: comissão de frente, harmonia, alegoria e adereços, bateria e evolução.
Neguinho da Beija-Flor foi o intérprete da escola em todos os seus dez títulos. Laíla, coordenador da comissão de Carnaval, venceu pela nona vez na escola -só esteve de fora na vitória de 1983.
''Não foi a África que deu sorte. Qualquer enredo bem desenvolvido pode ser vitorioso. E fizemos um belíssimo trabalho'', disse Laíla, 63, que começou no Carnaval nos enredos africanos do Salgueiro dos anos 60 e é um entusiasta desse universo. Disse ainda que a chegada do carnavalesco Alexandre Louzada, campeão em 2006 pela Vila Isabel, ajudou: ''Ele limpou a escola visualmente. Fez um grande trabalho.''
Se a Beija-Flor reverteu a má colocação de 2006 (quinto lugar), outras situações não mudaram tanto. A Grande Rio voltou a ser vice-campeã de forma surpreendente.
Indagado sobre a surpresa, o carnavalesco da escola de Duque de Caixas, Roberto Szaniecki, reagiu: ''Quem disse que não éramos favoritos? Mostramos toda a força de Caxias.'' O município também era o enredo da agremiação.
O presidente da Mangueira, Percival Pires, se disse decepcionado com o terceiro lugar, especialmente por causa das notas baixas de harmonia e bateria. ''Vou esperar a justificativa dos jurados. Mas não concordo com as notas. Todos reconhecem a garra e a cadência da bateria da Mangueira.''
Tristeza maior, porém, se viu na diretoria da Império Serrano. Das mais tradicionais escolas do Rio, fundada em 1947, a agremiação foi rebaixada.

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