Beija-Flor conquista o bicampeonato
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Rio- A Beija-Flor conquistou o bicampeonato do Carnaval carioca graças a um desfile técnico, com muita garra, e à benevolência de alguns julgadores. Ela alcançou 388,7 pontos dos 390 possíveis e vai fechar o desfile das campeãs no sábado, na Marquês de Sapucaí. Volta com o enredo sobre a Amazônia, em que denuncia a cobiça humana como a principal causa da devastação do meio ambiente.
O resultado da apuração apontou uma grande surpresa: o segundo lugar para a Unidos da Tijuca, que terminou empatada com a Mangueira, com 387,9 pontos, mas superou a Verde-e-Rosa no critério de desempate - maior nota no quesito evolução.
A Mangueira ficou frustrada com a terceira colocação, prejudicada por notas baixas em bateria e por um 9,4 inexplicável no quesito conjunto. Viradouro, Imperatriz Leopoldinense e Salgueiro, em 4º, 5º e 6º lugares, voltam a se exibir no fim de semana.
A classificação final provocou revolta entre integrantes da Portela e Império Serrano, duas tradicionais escolas do subúrbio de Madureira, muito cotadas para a disputa do título e que nem sequer vão figurar no desfile das campeãs.
A Portela fez uma apresentação belíssima e recebeu a maior nota do público que assistiu à festa pela tevê. Ficou na sétima posição. Já o Império Serrano foi a única escola a levantar os torcedores na Sapucaí, com um desfile emocionante, o mais aplaudido, e terminou em nono lugar.
A Grande Rio também decepcionou e acabou em 10º lugar. A escola envolveu-se em polêmica com a Igreja Católica por causa do desenvolvimento do enredo Vamos vestir a camisinha, meu amor!, perdeu pontos previsíveis em alegorias e evolução e dispensou o carnavalesco Joãosinho Trinta (ver texto abaixo).
Em uma das apurações mais concorridas desde a criação do sambódromo, o bicampeonato da Beija-Flor e o vice da Unidos da Tijuca só foram decididos no último quesito, evolução. A Mangueira, que esteve no segundo lugar a maior parte do tempo, revoltou-se com as notas altas que a Beija-Flor recebeu em alegorias e adereços. Componentes da Verde-e-Rosa reclamavam que a escola de Nilópolis entrou na Sapucaí com carros quebrados e ainda por terminar.
Quem comemorou logo no início, apesar de não ter ficado entre as primeiras, foi o diretor de bateria da Unidos do Viradouro, Mestre Ciça. ''A escola desfilou na chuva, teve problemas de som, mas mesmo assim obteve nota 10 de todos os jurados. Isso já é o campeonato.'' Até os últimos minutos a torcida da Unidos da Tijuca não acreditava no vice-campeonato, a melhor colocação que a escola obteve em 69 anos, desde a sua fundação. Foi a primeira vez que um carnavalesco estreante no Grupo Especial, Paulo Barros, obteve uma colocação tão boa.
O carnavalesco Laíla, da Beija-Flor, assistiu à apuração afastado dos colegas da escola, como faz todos os anos, sem esconder o nervosimo.''Este é o pior dia do Carnaval, mais difícil que pôr a escola na avenida.''


