os principais trechos da entrevista à Agência Estado concedida por fax pelo juiz: Agência Estado - Cilza Maria Colombo Andriani disse que foi preterida, sem justificativas, em um pedido de adoção do menor Fábio da Silva Maciel. Apesar de aprovada pela assistente social que o auxiliava, outra família foi escolhida. Cilza contou que, em novembro, em uma conversa no fórum, ouviu do senhor que houve um erro nesse caso. Ela teria sido aconselhada a desistir do processo e o senhor ofereceu-se para pagar os honorários do advogado contratado. Luiz Beethoven Giffoni Ferreira - Essa senhora queria a guarda de uma criança doente, mas consegui outro casal que adotou o menor, medida muito mais ampla. Decidi o melhor para a criança. Realmente conversei com essa senhora no meu gabinete, no fórum, pois que a encontrei na casa de d. Amaury Castanho, bispo de Jundiaí. Ela queria explicações e disse que integrava a comunidade católica do bairro onde morava. Foi uma conversa fraterna e humana, na qual procurei mostrar que o melhor para a criança foi feito. Nego que lhe tenha dito que errei. Não aconselhei nada a essa senhora a respeito do processo. Ela sim, mencionou que talvez desistisse do recurso e observou que ainda estava muito magoada comigo. Nunca, jamais, em tempo algum, disse que iria pagar os honorários de seu patrono, já que nenhum motivo havia para isso. Ao contrário, essa foi uma preocupação dela apenas. Naquela conversa, no fórum, após conversar com a sua filha - por sinal, uma criança encantadora -, dei à menina, com muito gosto, dois presentinhos: um terço e um perfume, que estavam ocasionalmente em minha gaveta. Gosto de crianças. Elas não têm maldade no coração. AE - Oito auxiliares do Anexo da Infância e Juventude de Jundiaí afirmaram, em seus depoimentos à CPI, que Cristiane Lopes arrependeu-se de dar o filho recém-nascido para adoção. O senhor pode explicar por que não aceitou o arrependimento dessa mãe? Beethoven - A jurisprudência da Câmara Especial do Tribunal de Justiça (TJ) admite que a mãe pode se arrepender de entregar o filho para adoção. Foi o que houve nesse caso. Mas, julgando o arrependimento, não o considerei, com base no princípio do livre convencimento. O advogado dela não recorreu. AE - O sr. tem negócios com a Construtora Giassetti? Beethoven - Comprei dois apartamentos, a preço de custo, da Construtora Giassetti. Depois obtive dois financiamentos imobiliários, pelo Bradesco, via carteira hipotecária, para terminar de quitar o preço. Moro em um, com minha família, e no outro residem meus sogros, velhos e doentes. Paguei tudo. Declarei ambos à Receita Federal. Meus negócios com o Bradesco e a Giassetti findaram-se há vários anos. Tudo o que tenho está declarado. Não tenho um centavo fora do Brasil e minhas contas já foram examinadas pela CPI. Desafio qualquer pessoa a encontrar alguma mancha na minha carreira de juiz. Erros há, infelizmente, pela natural falibilidade humana. Mas dolo, nunca, jamais. Minha vida é trabalhar. Jamais perdi um prazo processual. Minha folha de antecedentes está limpa. Graças a Deus, nunca fui processado. Eu sim é que tenho várias ações cíveis e criminais contra pessoas que me ofenderam. Não abro mão desse direito. Todos os que me ofenderem serão processados. Não tomo bebidas alcoólicas e não fumo. Sou um herdeiro de Alves Braga (desembargador já morto). AE - O senhor recebeu de seu sogro, recentemente, doação de um apartamento avaliado em R$ 150 mil? Beethoven - Nunca recebi doação alguma de meu sogro. AE - O advogado Marco Antônio Colagrossi e algumas integrantes do movimento Mães da Praça do Fórum de Jundiaí acusam o senhor de ter desrespeitado prazos, determinado citações irregulares por edital, decidido processos sem provas consistentes de maus tratos e de ter autorizado adoções internacionais sem tentar acomodar as crianças com parentes ou famílias brasileiras. Beethoven - Nego qualquer irregularidade nos processos. Tenho 20 anos de magistratura e também fui advogado. Tudo não passa de irresignação ilegítima contra decisões judiciais legítimas. A lei fixa prazos máximos, e não mínimos. Tenho dez dias para sentenciar um processo, mas geralmente faço isso no mesmo dia. Sou um madrugador, reminiscência de meus tempos no nosso glorioso Exército Brasileiro. Raramente o Sol me encontra ainda deitado e isso proporciona muita eficiência. Mas os inimigos dizem que rapidez é irregularidade. Apenas deferi adoções internacionais para casais cadastrados previamente pela Comissão Estadual Judiciária de Adoções Internacionais (Cejai), sob o pálio da mais absoluta legalidade. Não fazia parte de minha política mandar bebês para o estrangeiro, mas apenas menores que não consegui colocar com casais brasileiros. Qual brasileiro adotaria um menino de 12 anos, ou uma jovem de 17 anos? Ou uma criança totalmente deformada? Ou um bebê portador do vírus HIV? Consegui essas colocações, mercê de Deus, e me orgulho disso. Combati o bom combate, de que falava São Paulo. Ninguém fala que autorizei mais adoções nacionais que internacionais. Isso não interessa dizer? Apenas o escândalo convém. AE - O padre Norberto Savietto, da Paróquia Santa Terezinha, disse que se encontrou com o senhor e com a promotora de Justiça Inês Makowski Bicudo. Ele afirmou que a impressão que teve foi de duas pessoas autoritárias, que desrespeitavam as mães, deixando de dar explicações sobre o destino de seus filhos. Beethoven - O padre Norberto tem sua opinião sobre minha humilde pessoa e tenho a minha sobre ele, que nada sabe sobre processos, porque não é advogado. Perguntem ao padre Joaquim, da Catedral, que é formado pela Universidade Gregoriana de Roma, o que acha do trabalho que desenvolvi. Perguntem ao bispo de Jundiaí e ao querido d. Roberto Pinarello, bispo emérito desta diocese, o que pensam do meu trabalho e do que fizemos pelas crianças. AE - Antônio Andriani, marido de Cilza, disse que, em Jundiaí, sua imagem é a de um homem que assustava as mães. Beethoven - Claro que há pessoas que dizem que sou autoritário, mas o fato é que quem perde uma ação geralmente precisa achar um culpado, que não ele próprio. Nós, juízes, estamos acostumados com isso. Contra o abuso de autoridade existe o mandado de segurança, não apenas palavras. AE - Elisângela Cordeiro Rodrigues disse que sua filha Evelyn foi adotada irregularmente por um casal alemão. O Tribunal de Justiça revogou uma sentença do senhor que a destituía do pátrio poder. As provas de maus tratos contra a criança foram consideradas frágeis. Apesar do julgamento do recurso favorável à mãe, o juiz autorizou a adoção de Evelyn antes da publicação da decisão do tribunal no Diário Oficial. Um assessor do TJ teria informado que a sentença tinha sido confirmada, quando, na realidade, foi reformada. Há outros casos, exceto o da menor Evelyn, nos quais o senhor reconhece que houve falha que possa anular o processo? Beethoven - Não houve falha processual. Apenas admiti um erro de comunicação que acabou redundando no problema. Não houve ilegalidade nessa adoção. Basta ver o Estatuto da Criança e do Adolescente. O juiz é escravo da lei.Por Arnaldo Galvão São Paulo, 5 (AE) - O juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira nega que tenha cometido irregularidades em processos de destituição do pátrio poder e adoções internacionais quando comandava o Anexo da Infância e Juventude da 2.ª Vara Cível de Jundiaí (SP). "Desafio qualquer pessoa a encontrar alguma mancha na minha carreira de juiz. Erros há, infelizmente, pela natural falibilidade humana. Mas, dolo, nunca, jamais", disse. A seguir

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