Bebês serão tratados com células-tronco
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quinta-feira, 06 de outubro de 2005
Roberta Pennafort<br>Agência Estado 
Rio - Cientistas brasileiros vão participar de um estudo para testar o uso de células-tronco em recém-nascidos com problemas neurológicos e cardiovasculares, que será feito também nos Estados Unidos, em Taiwan e no Japão. As células-tronco do cordão umbilical dos bebês serão implantadas na corrente sanguínea deles. Inicialmente, o estudo envolverá, no Brasil, 40 bebês.
Entre os parceiros brasileiros estão o Hospital São Luiz, de São Paulo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Friocruz), além da Criopraxis Criobilogia - maior banco de células -tronco extraídas de cordões umbilicais da América Latina (com mais de seis mil amostras), pioneiro no Brasil e ligado à UFRJ.
A pesquisa tem como centro a Universidade do Sul da Flórida. O professor Paul Sanberg, um dos maiores especialistas do mundo em terapia celular e coordenador do trabalho, esteve em São Paulo e no Rio esta semana para participar de um simpósio sobre o assunto. Ele disse que ficou muito bem impressionado com o nível das pesquisas o País.
''O Brasil é líder nesse setor na América Latina. O trabalho que vi aqui é excelente. As instalações são iguais ou até melhores do que as que temos nos Estados Unidos'', afirmou Sanberg, em entrevista ontem. ''O que queremos é tirar proveito das experiências de cada país. Não devem existir fronteiras.''
A intenção do projeto é reduzir o número de mortes de crianças que têm problemas graves, como os provocados pela hipoxia (falta de oxigenação no cérebro na hora do nascimento). Outro objetivo é testar o uso de células-tronco para tratar pacientes que tiveram acidente vascular cerebral ou esclerose lateral amiotrópica.
Os experimentos - que dependem ainda de aprovação pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, vinculada ao Ministério da Saúde - devem começar este ano em todos os países envolvidos.
A equipe de Paul Sanberg já obteve resultados positivos na recuperação de ratos com problemas neurológicos, com o transplante de células-tronco extraídas de sangue de humanos.


