Em bebês, o diagnóstico precoce é fundamental para iniciar tratamentos efetivos e evitar complicações futuras de diversas doenças. O teste do pezinho já é tradicional, mas outros dois exames - da ''orelhinha'' e do ''olhinho'' - também são fundamentais. Em Londrina, o da orelhinha é feito desde 2002 na maternidade municipal.
O teste do pezinho nasceu da necessidade de diagnosticar uma doença chamada fenilcetonuria. De origem genética, ela causa distúrbio no metabolismo do aminoácido fenilalanina, substância que se acumula no sangue e lesa principalmente as células nervosas, podendo causar deficiência mental. O diagnóstico precisa ser rápido, até os três meses de vida, para que o tratamento possa ser eficiente. O teste deve ser feito entre o sétimo e o 15º dia após o nascimento.
Hoje, segundo o pediatra Ary Parreira, da Maternidade Municipal de Londrina, o exame do pezinho feito com a gotinha de sangue retirada do calcanhar do bebê também detecta outros males, como o hipotireoidismo e alterações metabólicas. ''Alterações que sem tratamento atrapalhariam o desenvolvimento normal da criança'', aponta.
O teste da orelhinha é menos conhecido, mas não menos importante - com ele é possível fazer o diagnóstico precoce de surdez. Feito nas primeiras 48 horas de vida do bebê, o exame chamado Triagem Auditiva Neonatal Universal detecta problemas de audição com 100% de garantia.
Segundo a fonoaudióloga Alessandra Graciosa, de Curitiba, estatísticas do Comitê Brasileiro sobre Perdas Auditivas na Infância apontam que em cada mil bebês, três têm algum tipo de alteração. Esse número é maior em casos de recém-nascidos que passam pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Os problemas auditivos detectados pelo teste da orelhinha são bem mais comuns que o teste do pezinho, no qual a incidência é de um caso para cada dez mil bebês. ''Os pais têm dificuldade de perceber que o bebê pode ter alguma alteração auditiva. Na maioria dos casos, somente a partir dos três anos é que há essa percepção, e é nesta fase que a criança apresenta ausência ou atraso no desenvolvimento da fala'', explica a fonoaudióloga.
O teste da orelhinha é feito com um pequeno fone colocado na entrada do ouvido do bebê. O fone é ligado a um aparelho que emite estímulo até o ouvido interno, a cóclea, responsável pela audição. O exame é rápido, apenas dois minutos, feito durante o sono do bebê, sem incomodá-lo ou mesmo acordá-lo. Se o resultado apontar algum problema auditivo, o exame é refeito após 30 dias.
Segundo o pediatra, algumas patologias são reversíveis. No caso da surdez não há reversão, mas o diagnóstico precoce - aponta a fonoaudióloga -vai permitir que a criança tenha o desenvolvimento da linguagem muito próximo ao da criança ouvinte.

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