Bebês do PR farão teste para detectar câncer
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terça-feira, 06 de dezembro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A partir desta semana, as maternidades de Curitiba e Região Metropolitana farão teste de DNA com os bebês recém-nascidos para detectar uma mutação genética responsável pelo desenvolvimento do tumor de córtex adrenal, que atinge uma glândula localizada acima dos rins. O exame será implantado gradativamente no restante do Estado e a previsão é que em seis meses esteja sendo realizado em todo Paraná.
De acordo com o médico Bonald Figueiredo, coordenador da pesquisa sobre a doença, a realização dos exames é importante devido à grande incidência da doença no Estado. Todos os anos nascem, no Paraná, cerca de 15 crianças que podem desenvolver esse tipo de câncer. Embora seja raro em outros países e estados brasileiros, no Paraná a incidência é de cerca de 15 vezes maior do que em outros estados.
''A detecção precoce da doença vai permitir a cura de até 100% das crianças com a doença. Hoje o índice de sobrevida é de apenas 50% dos diagnósticos'', diz Figueiredo, ressaltando que o grande índice de mortalidade ocorre principalmente em função do diagnóstico tardio. A doença, segundo ele, normalmente é detectada na faixa etária entre dois a três anos. Nessa fase, o tumor já está bastante desenvolvido, dificultando sua retirada cirúrgica e, consequentemente, a cura total. Ele explica que o tratamento é feito por meio de cirurgia, com a retirada do tumor.
A realização dos testes em crianças recém-nascidas é uma reivindicação antiga do Centro de Genética Molecular e Pesquisa do Câncer em Crianças (Cegempac) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), agora concretizada em conjunto com o recém-criado Instituto Pelé Pequeno Príncipe Pesquisa em Saúde da Criança e do Adolescente, com financiamento da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Governo do Estado do Paraná.
As crianças que tiverem a alteração genética detectadas, segundo o médico, terão acompanhamento até os 15 anos, com a relização de exames clínicos, laboratoriais e de imagens periódicos. Também serão realizados exames com os familiares dos bebês diagnosticados. Essa medida é importante, segundo Figueiredo, porque apenas 10% das pessoas que apresentam a alteração genética, desenvolvem o câncer. ''Isso significa que pessoas que têm a alteração, estão procriando sem saber dos riscos'', explica.
Com os resultados dos exames, a intenção é fazer um mapeamento dos casos existentes no Paraná. Um dos objetivos é elaborar um sistema de processamento georeferenciado para cruzar dados e entender a relação entre os fatores ambientais e genéticos ligados ao câncer. ''Queremos saber quais positivos que desenvolveram o câncer.
Com esse exame, os bebês passarão a fazer dois testes gratuitos na maternidade: o já conhecido ''teste do pezinho'' e, agora, o exame de DNA. O teste do pezinho é feito com a retirada de algumas gotas de sangue, por meio de um furinho no calcanhar do bebê com objetivo de detectar algumas doenças congênitas. Ao contrário desse, de realização obrigatória em todo País, o teste de DNA não é uma orientação do Ministério de Saúde. Por isso, para sua realização, as maternidades precisam do consentimento por escrito das mães.


