Logo nas primeiras horas de 2026, algumas famílias de Londrina ficaram maiores com a chegada de novos membros. Pelo menos dois bebês movimentaram as maternidades dos hospitais da cidade durante a madrugada. À 1h11, José Marco nasceu no Hospital do Coraçãozinho e às 5h30, Isadora veio ao mundo no Hospital Evangélico. Ambos chegaram antes do previsto. A cesárea de José estava marcada para 5 de janeiro e a de Isadora, para o dia 8.

Mãe de um adolescente de 15 anos, de um menino de nove e de uma menina de sete anos, Melisse Carolina Perusso Paixão, 42, começou a sentir contrações na quarta-feira (31), mas com a experiência das gestações anteriores, interpretou como um sinal da reta final da gravidez. Ela havia planejado passar a virada em casa, descansando. Iria em um almoço de família nesta quinta-feira. Mas às 20 horas, no entanto, as contrações começaram a ficar menos espaçadas e a mãe percebeu que o parto teria que ser antecipado. Ela e o marido, Diego, foram para o Hospital do Coraçãozinho. A bolsa rompeu às 21h30, quase quatro horas antes de receberem José Marco nos braços. O menino nasceu de 38 semanas e cinco dias, pesando 3,380 quilos e medindo 51 centímetros.

Assim como o parto, a gravidez de José Marco também não foi planejada. “Eu achava que pela minha idade, já não iria mais engravidar, que eu já estava perto da menopausa. Foi uma surpresa quando soube que estava grávida. Foi um presente em um momento de turbulência, ele veio para restaurar as nossas vidas”, contou a mãe.

A chegada de Isadora

Pouco mais de quatro horas depois da chegada de José Marco, no Hospital Evangélico foi Isadora quem surpreendeu a todos. A cesárea estava programada para 8 de janeiro, mas teve de ser antecipada para a madrugada do dia 1. A bebê chegou com 3,236 quilos e 49 centímetros, de uma gestação de 38 semanas e dois dias.

A mãe, Ingrid Mito de Paula, 39, contou que tinha deixado a casa dos pais, onde esteve para comemorar a virada de ano, e, em casa, sentiu que a bolsa rompeu. Eram cerca de 3 horas e, às 5h30, o médico obstetra Flavio Zanoni colocava nos braços do pai, Ricardo Ogleari, 39, a filha tão esperada.

O casal recebeu Isadora como um “presente de Deus”. Muito religiosos, devotos de Nossa Senhora Aparecida e de São Miguel Arcanjo, Ingrid e Ricardo, juntos há 19 anos, tentavam ser pais desde 2016. A mãe teve uma série de problemas de saúde que, segundo os médicos, dificultavam muito a ocorrência e manutenção de uma gravidez. Mesmo com todas as dificuldades e prognósticos não muito animadores, Zanoni e o médico especialista em reprodução humana, João Guilherme Grassi, nunca deixaram de incentivar Ingrid a persistir no desejo. Isadora veio como resultado do quarto procedimento de reprodução assistida, em um momento em que o casal se sentia cansado por ter as expectativas frustradas com os procedimentos anteriores.

"Lutou por esse bebê"

“Ela (Ingrid) é uma guerreira. Lutou por esse bebê. Ela mostrava muita vontade de gestar. Foi difícil, mas teve que ter persistência e conseguiu, com a graça de Deus. Está aí”, disse Zanoni, que exerce a medicina há quase 50 anos e ajudou a trazer ao mundo muitos bebês. A cesárea de Ingrid foi necessária porque Isadora estava em uma posição que impedia o parto normal.

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“Estou muito realizada e grata a Deus por ter me dado a Isadora com tanta saúde”, disse a mãe que, em suas orações, pedia a permissão de ser mãe, se fosse a vontade divina. “Ela é o fruto do nosso amor que, em 19 anos, só cresce. Agora, somos três e mais a nossa mascotinha, nossa cachorrinha.”

Grassi destacou a persistência de Ingrid e Ricardo em perseguir o desejo de serem pais, mas também reconheceu a importância da fé nessa caminhada. “Foram maravilhosos, sempre com muita união e acreditando que seria possível”, disse o médico. “É uma jornada cansativa. A paciente que faz a fertilização vem de muitas negativas e frustrações, uma dor de ausência muito forte, já chega desgastada na clínica. Traz muita expectativa, muito medo e muita insegurança. O que faz a diferença é a conduta da receptividade e do acolhimento”, disse o médico, definindo como um “alento para o coração” o nascimento de Isadora.

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