Pesquisa reforça trabalhos anteriores ao apontar a relação do tamanho ao nascimento com o desenvolvimento de doenças na adolescência e idade adulta. O estudo, feito por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), confirmou que crianças nascidas com baixo peso têm quatro vezes mais chances de desenvolverem doenças metabólicas e cardiovasculares, especialmente indivíduos do sexo masculino. A atividade física pode reduzir estes riscos.
Ao todo foram cerca de dois anos de trabalho, sendo monitoradas 967 crianças de escolas públicas de Curitiba, 43% meninos e 57% meninas, com idades entre 10 a 18 anos. De acordo com o autor do trabalho, Luis Paulo Gomes Mascarenhas, as avaliações concentraram medidas de peso, altura, pressão arterial etc; entre outras como o gasto energético diário, calorias consumidas, colesterol total e insulina.
''Detectamos que 10% do total apresentaram baixo peso. O que nos chamou a atenção é que a maioria deles contavam com colesterol elevado e HDL (colesterol bom) abaixo do que se considera adequado. Pelo menos 33% dessas crianças apresentaram três ou mais componentes para o desenvolvimento de doenças metabólicas'', aponta.
O Ministério da Saúde preconiza como baixo peso toda criança que nasce com menos de 2,5 quilos. A conclusão do trabalho confirmou que o público de 10% com baixo peso conta com três a mais fatores de risco associados para desenvolvimento de doenças. As chances se tornam ainda maior nos meninos.
''A mãe passa para a criança, ainda no útero, como é que vai ser o meio ambiente onde ela vive. Se essa mãe tiver problema de formação placentária, for tabagista, por exemplo, essa situação revela que a mãe está 'dizendo' para a criança que aqui fora o ambiente vai ser restritivo nutricionalmente. Por isso o bebê não cresce e deixa de ter um desenvolvimento normal para preservar energia para o sistema nervoso central em detrimento de alguns órgão'', explica.
O pesquisador diz também que a criança com baixo peso pode apresentar hipertensão arterial porque os rins - na hora da formação - recebe menos nutrientes comprometendo a vascularização da região renal. Com isso, a produção de certos hormônios fica comprometida. ''Observarmos que a criança com baixo peso tem tendência a estocar mais gordura e dificuldade de desenvolver massa magra. No caso dos meninos, eles têm mais dificuldade que as meninas em absorver a gordura, por isso é fundamental a prática de atividade física.''
Acompanhamento
O pré-natal é fundamental para que seja evitado o nascimento com baixo peso além de manter um bom controle do desenvolvimento do bebê. Mascarenhas lembra ainda que os próximos passos da pesquisa é discutir se o ganho acelerado de peso na primeira infância é realmente importante ou não.
''Como sabemos que essa criança tem mais facilidade em estocar gordura, isso precisa ser reavaliado. Além disso, as mães precisam desestimular a ingestão de gorduras e na prática de atividades físicas regular'', finaliza.

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