Bebedouro e Antonina disputam locomotivas
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sexta-feira, 12 de julho de 2002
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma ação ajuizada pela Prefeitura de Bebedouro, em São Paulo, pode impedir que duas novas locomotivas sejam incluídas na linha de turismo ferroviário em Antonina, Litoral do Estado. As locomotivas fazem parte do acervo do Museu Eduardo André Matarazzo, no município paulista. A família Matarazzo, que detém os direitos do acervo, quer transferir as peças para o museu de mesmo nome, em Antonina. A idéia é reformar as locomotivas e colocá-las em funcionamento numa malha ferroviária de três quilômetros, para incrementar o turismo.
Entretanto, a Prefeitura de Bebedouro obteve liminar favorável, concedida pelo juiz Amilcar Gomes da Silva, impedindo que as locomotivas saíssem do museu. O diretor do Departamento de Cultura, Fauze Mustaffa Bazzi, explicou que a prefeitura não quer armar uma ''guerra'' contra a família, mas quer garantir que as peças do museu continuem na cidade.
Além das duas locomotivas, integram o acervo do museu automóveis antigos e peças de aviação. A maior parte do acervo foi comprada por Eduardo Matarazzo. Com a morte dele, no ano passado, a família (a mulher e dois filhos) ficou responsável pelas peças. Como existe um museu semelhante e com o mesmo nome em Antonina, com a diferença de que a família também responde por uma malha ferroviária no local, a intenção era colocar as locomotivas em funcionamento.
A iniciativa seria possível por meio de uma parceria firmada com a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), que reformaria as peças. O diretor administrativo da ABPF no Paraná, Carlos Dias Correia Augusto, esclarece que não pode entrar no mérito judicial, mas entende que os direitos de utilização das peças são da família. A prefeitura de Bebedouro informou, no entanto, que vai manter o recurso judicial. Duas viaturas da Guarda Municipal estão no local para impedir a transferência das peças até que a Justiça dê um parecer.


