SÃO PAULO - Carolina Rozato, de quatro meses, sequestrada na madrugada de anteontem do apartamento dos pais, no edifício Sierra Mascote, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, foi abandonada 20 horas depois dentro de um carro a poucos metros do 47º Distrito Policial, na estrada de Itapecerica, no Capão Redondo. Carolina estava no banco de trás, dentro do cestinho em que fora levada e dormia quando os policiais da Delegacia Anti-Sequestro (Deas) a encontraram. Fora alimentada e tivera a fralda trocada.
O pai de Carolina, o empresário da construção civil Darcy Silvio Rozato, declarou que tudo foi como um ‘‘filme de terror e, felizmente, o final foi feliz’’. Ele e a mulher ficaram desesperados e chegaram a pensar que jamais voltariam a ver a filha. A polícia localizou a criança depois de um telefonema anônimo indicando o local onde estava o carro. ‘‘O cúmplice do sequestrador preso achou que fora denunciado e decidiu libertar o beb꒒, acredita o delegado Maurício Soares responsável pelas investigações. Com quase dez anos de experiência apurando sequestros, o policial está revoltado com o sequestrador Silvani Pinheiro Ribeiro, de 25 anos, fugitivo da cadeia e condenado por assaltos. Em momento algum Ribeiro revelou onde era o cativeiro e quem era seu cúmplice.
Um delegado e três investigadores da Deas entregaram a menina aos pais nas dependências da delegacia, no centro da cidade. O empresário e sua mulher, Roselene Rozato, abraçados ao bebê começaram a chorar e agradeciam a todo o momento a Deus e aos policiais. ‘‘Criticaram os delegados e os investigadores por causa do tiroteio num lugar movimentado, mas foi o ladrão que atirou primeiro e tentou me matar na hora da entrega do dinheiro’’, explicou Rozato.
A audácia do sequestradores que invadiram o prédio de apartamentos durante a madrugada e levaram a criança de quatro meses foi assunto ontem em todas as dependências policiais. ‘‘Os criminosos perderam o respeito por tudo, não se intimidam com nada, nem mesmo com um crime hediondo como o que praticaram’’, comentou o delegado Francisco Basile, diretor da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio. Para ele, é preciso que a Justiça puna com rapidez os criminosos para que não ocorra um novo sequestro.

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