Uma cicatriz de cerca de três centímetros na face direita é talvez a maior marca que Bruno Pereira da Silva guarda da explosão no Osasco Plaza Shopping. O menino, que comemorou seu primeiro aniversário poucas semanas antes de o acidente completar um ano, virou um símbolo de esperança da tragédia depois de ter sido salvo dos escombros do shopping pelo sub-tenente Gilson Belmonte.
Seu aniversário foi celebrado com o pai, avós e enteados. A mãe de Bruno morreu na explosão. Mesmo com essa perda, o recém-nascido que comoveu a todos ao ficar quase uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está forte e com saúde. ‘‘Ele é muito esperto, mas quando aparece um probleminha, já ficamos preocupados’’, comenta o avô, Ismael Tavares da Silva, de 40 anos.
Bruno mora com os avós, mas passa o dia com uma vizinha, que recebe R$ 85,00 por mês do shopping para cuidar do garoto. A família agora espera que o sub-tenente Belmonte marque a data para o batismo de Bruno, previsto para o próximo mês.
‘‘A imprensa falou na época que ele ia ser o padrinho, e acabamos pegando a idéia’’, explica o pai, Reginaldo Pereira da Silva, de 23 anos, que trabalha em uma fábrica. Silva não parece à vontade ao falar do acidente, mas afirma que já entrou com uma ação de indenização na Justiça.
A bancária Paula Negrão, de 21 anos, não está muito animada para comemorar o dia dos namorados amanhã, embora esteja apaixonada pelo seu. As muletas, a dor nas costas e nos pés não a deixam esquecer do dia 11 de junho do ano passado, quando ficou gravemente ferida na explosão do shopping.
Paula já dispensou a cadeira de rodas e, em breve, deve usar um andador. Mas ainda fará uma cirurgia no pé e muitas sessões de fisioterapia. ‘‘O dia dos namorados para mim acabou’’, diz. Mesmo assim, Paula trocará presentes com Sérgio dos Reis Cândido, de 27 anos, com quem namora há nove meses. Cândido foi o soldado PM que a tirou dos escombros no dia da explosão. ‘‘Nos vemos todo dia’’, conta a moça.

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