Bebê queimado por pai aguarda vaga em UTI
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de janeiro de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina - Um bebê de seis meses que foi queimado pelo próprio pai em Sarandi (região metropolitana de Maringá) na noite de sábado aguarda uma vaga no Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas segundo informações do próprio HU, a Unidade de Terapia Intensiva do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) está lotada e não poderia receber o bebê neste momento. Das 16 vagas existentes no CTQ, seis são destinadas à UTI. Em todo o Paraná, só existem dois hospitais que possuem alas especializadas nesse tipo de tratamento: o Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e o HU de Londrina.
A criança ficou com 80% de seu corpo atingida pelas queimaduras e até o fechamento desta edição estava internada no Hospital Metropolitano de Sarandi. Em 2013 foram internados no CTQ de Londrina 304 pacientes, sendo 92 crianças e 196 adultos. O balanço de 2014 ainda não foi fechado.
O pai da criança, Ailton Ruiz, de 36 anos, é usuário de drogas, e chegou em casa alcoolizado na noite de sábado, quando teve uma discussão com sua esposa, Gislaine Cristina Alves, que também é usuária de drogas. Ruiz teria ficado incomodado com o choro do bebê. Ele lançou um solvente inflamável sobre o filho, que estava deitado em um carrinho, e acendeu o isqueiro. Um vizinho ouviu os gritos da criança e entrou na casa para socorrê-la. Ele levou o bebê em seu próprio carro para uma Unidade de Pronto Atendimento de Sarandi. Mais tarde, a criança foi transferida para o Hospital Metropolitano.
Segundo boletim médico emitido pelo hospital, no início da tarde de ontem, seu estado é gravíssimo. Ele está respirando por aparelhos que possibilitam a ventilação mecânica de seus pulmões. Caso consiga uma vaga na UTI do CTQ, a criança será transferida por transporte aéreo. Os pais da criança permanecem presos e o casal responderá criminalmente por tentativa de homicídio. O pai da criança inicialmente negou o crime, mas posteriormente admitiu que ateou o fogo, mas alegou que não tinha a intenção de queimar o próprio filho. O histórico do casal com relação aos cuidados com os filhos não é bom. Os dois possuem oito filhos, dos quais sete tiveram a guarda retirada pelo Conselho Tutelar e vivem em abrigos na cidade, porque seus pais são usuários de crack.


