Bebê morre em reserva indígena
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002
Carina Paccola Reportagem Local 
A indiazinha Liliane Marcondes, de 11 meses, morreu segunda-feira de manhã na Reserva Indígena do Apucaraninha, em Tamarana, a 80 km de Londrina. Com cinco quilos e 600 gramas metade do peso considerado ideal para a idade dela , Liliane apresentava sintomas de pneumonia, agravados pela desnutrição.
A médica Vera Lúcia Pozzobon, da equipe do Programa de Saúde da Família que trabalha na reserva, afirma que a família da menina se recusou a encaminhá-la para Londrina para ser internada no hospital.
Segundo a médica, na sexta-feira passada ela explicou para a mãe sobre a gravidade do caso e que a criança corria risco de vida, embora já estivesse medicada com antibiótico. A mãe não permitiu que a médica trouxesse a menina para Londrina.
De acordo com a médica, a mãe, então, teria levado a filha para o pajé da tribo e, depois, para os índios evangélicos que oraram para a recuperação da menina.
Filha de Caingangues, Liliane Marcondes foi enterrada na aldeia indígena de São Jerônimo da Serra, onde a família morava anteriormente.
A médica, que atua na Reserva do Apucaraninha desde setembro do ano passado, afirma que é muito difícil trabalhar com a saúde do índio por causa das diferenças culturais.
A antropóloga Marlene de Oliveira, que atua desde 1993 na Reserva e é coordenadora do Programa de Atendimento à Terra Indígena do Apucaraninha, explica que entre os indígenas existe um pluralismo médico grande. Não é só o médico ocidental que cura, afirma.
Dependendo da doença diz Marlene os índios procuram o pajé, o espiritista, a mulher que reza. Tem doença que passa por todos até chegar ao nosso médico. Se a mãe se recusou a levar a menina ao médico é porque acredita que quem cura é o curandeiro.
Segundo a antropóloga, isso demonstra que, embora digam que eles já perderam a cultura, os índios ainda têm uma fidelidade cultural imensa. E essa fidelidade pode ter consequências bastante graves como neste caso, diz.


