Bebê morre em acampamento do MST
Dimitri do Valle
O menino Gabriel da Silva Teixeira Kais, de nove meses de idade, morreu na madrugada de ontem no acampamento montado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Os pais do bebê, Israel Kais, 22 anos, e Roberta da Silva Teixeira Kais, 17 anos, levantam a hipótese de pneumonia e acusam o HC de omissão de socorro e negligência.
A direção do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná apontou que a criança morreu por bronco-aspiração maciça - a criança teria se afogado com leite, provavelmente dormindo.
Conforme o casal, uma médica do hospital, que atendeu o bebê na noite de quarta-feira, decidiu que ele não precisava de internamento. Israel e Roberta Kais vieram de um assentamento do município da Lapa. O resultado da autópsia que determinará a causa da morte de Gabriel sairá em dez dias.
Segundo o diretor do Hospital de Clínicas, Mitsuro Miyaki, quando o bebê foi atendido na quarta-feira, apresentava um quadro de febre, vômito e diarréia. Durante os exames, foi diagnosticada um pequena secreção nos brônquios. Uma radiografia dos pulmões revelou uma traqueobronquite, mas a criança foi liberada com prescrição para ser medicada em casa e com orientação para retornar no dia seguinte, para avaliação. O casal não se identificou como sem-terra.
Os pais contaram que o filho começou a apresentar sinais de estar doente no último final de semana. A mãe confirmou que o menino vomitava, tinha diarréia, tremores e febre, desde o último domingo, quando ela levou o filho no Posto de Atendimento do Boa Vista. Os médicos que prestaram atendimento receitaram antibióticos. Gabriel teve mais duas consultas no posto, uma na segunda e outra na terça-feira.
Sempre que perguntei aos médicos se havia necessidade de internar a criança a resposta era para eu ficar tranquila, disse a mãe. Por volta das 19 horas de quarta-feira, os pais teriam levado Gabriel ao Hospital de Clínicas. A mãe diz que recebeu orientação da médica Karin Cristine Garcia de que não havia necessidade de o menino ficar no hospital, apenas seguir medicação. Os pais voltaram para o acampamento. Gabriel chorou até por volta das 2 horas da madrugada. Quando os pais acordaram cinco horas depois, o menino já estava morto.
O diretor hospital, Mitsuro Miyaki, que é doutor em pediatria, afirmou ontem que Gabriel não apresentava sinais de paciente que necessitava de internamento. O diagnóstico foi uma traqueobronquite. Pode ter pequenos focos de pneumonia, mas isso não significa a necessidade de uma internação, assumiu. Às 7h20 de ontem o garoto foi levado pelos pais ao HC, já sem vida. Tudo indica que a criança veio a óbito de três a quatro horas antes de retornar ao hospital, disse o diretor.





