Bebê faz aniversário de um ano na UTI
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Filha 
Curitiba - O primeiro ano é um marco na vida de uma criança, comemorado pela família com alegria. No caso da pequena Trhinity Vitória da Luz Morais, filha de Haialon Ribas e Isonéia do Rocio, o aniversário de um ano da menina foi motivo de uma felicidade ainda maior. A cada dia que passa, Trhinity está cada dia mais perto de deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, local onde nasceu e que ainda não teve oportunidade de deixar. No mês passado, a garota completou um ano na UTI.
Por causa de doenças relacionadas à prematuridade a menina nasceu com 30 semanas, cerca de 10 semanas a menos do que uma gestação considerada normal e ainda doenças congênitas que afetam o coração, Trhinity já passou por quatro cirurgias.
A garota nasceu com apenas 1,4 quilos, metade do peso médio de um bebê que teve uma gestação completa. Por ter nascido antes do tempo, ela adquiriu doenças no pulmão, característica de alguns bebês prematuros. Um raro problema conhecido como de atresia no esôfago e três doenças congênitas no coração também afetam a menina. ''O grande problema é a associação dessas doenças e também o defeito no pulmão, que depende de respiração assistida a maior parte do tempo'', explica o médico pediatra Mário Eduardo Branco.
Durante os quatro primeiros meses, Trhinity precisou de respiração artificial. Hoje ela oscila entre a respiração com e sem aparelhos e aguarda a recuperação da capacidade respiratória e o aumento de peso para passar por uma nova cirurgia, de recuperação do coração, para ganhar alta. Com um ano e um mês de vida, completados anteontem. Trhinity pesa cerca de 5 quilos. ''Um bebê normal com essa idade tem ao menos o dobro do peso'', lembra o médico. Ele ressalta que apesar dos problemas de saúde da menina, a neurologia não foi afetada. ''Ela reconhece as pessoas e tem boas reações, mas é uma criança de um ano, que precisa de carinho e atenção'', diz.
Segundo ele, a atenção das enfermeiras e dos médicos tem sido fundamental no processo de internação da menina. ''Nós somos como parte da família dela. É essa a realidade que ela conhece'', observa. Os pais de Trhinity moram em Carambeí 20 quilômetos ao Norte de Ponta Grossa e visitam a menina todos os dias, exceto nos fins de semana, com a ajuda do transporte municipal. ''É uma rotina difícil, mas que compensa quando vemos a alegria da nossa filha e a vontade dela em continuar vivendo'', conta o pai da garota. Ele e a mãe de Trhinity se licenciaram do trabalho para cuidar da menina, já que o caso é considerado raro na medicina. O tratamento está sendo pago pelo plano de saúde.


