Curitiba - Apesar do pouco tempo de vida, o pequeno Vitor Vizoni Scudeller Ferraza Fogliato já tem em sua biografia o feito de ser um dos menores bebês já submetidos a transplante cardíaco no Brasil. Depois de quase dois meses de espera na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Pequeno Príncipe (HPP), em Curitiba, Vitor com apenas quatro meses e menos de quatro quilos ganhou um coração novo, no dia 20 de julho. Para alegria dos pais que, agora, respiram aliviados, Vitor deverá receber alta neste final de semana, depois de uma recuperação que surpreendeu a equipe médica.
A cardiologista pediátrica do HPP, Eliana Pelissari, explicou que Vitor tinha uma doença congênita -cardiomiopatia hipertrófica-, que causou anomalia no crescimento do músculo do coração (miocárdio). Isso impedia a circulação adequada do sangue e quando foi internado seu estado era grave: não conseguia sugar -e, por isso, não se alimentava- e respirava com muita dificuldade. ''Era um caso extremo e raro de hipertrofia'', acrescentou a médica, lembrando que o transplante era a única alternativa de sobrevivência para Vitor. No período em que ficou na UTI, ele respirava com ajuda de aparelhos e se alimentava por sonda.
A mãe de Vitor, Milena Vizoni Scudeller, 30 anos, contou que ele nasceu prematuro, com oito meses, e que chegou a ficar internado por uma semana em um hospital de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde mora. O diagnóstico havia sido de Comunicação Inter-Ventricular (CIV) ou ''sopro cardíaco'', como é popularmente conhecido o defeito congênito. Vitor teve acompanhamento de cardiologista até completar dois meses e, por indicação médica, procurou o HPP para exames mais apurados, quando foi constata a miocardiopatia.
De acordo com o cirurgião pediátrico, que realizou o transplante, Wanderlei Saviolo Ferreira, a maior preocupação era com o tempo que o coração doado ficaria em isquemia (sem circulação sanguínea). O prazo recomendado é de, no máximo, seis horas por conta do risco do órgão perder sua funcionalidade. O doador foi um bebê de seis meses, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Foram cinco horas, da retirada do coração do doador até voltar a bater no peito de Vitor.
O pediatra Leonardo Cavadas, que coordena transplantes cardíacos no HPP, lembrou que o transplante pediátrico é recente no hospital, que realizou o primeiro procedimento, em 2004, em um adolescente de 15 anos. De lá para cá, foram realizados seis cirurgias. Atualmente, há outras duas crianças -de sete e nove anos- no período de preparo para entrar na fila da doação. Ambas têm cardiomiopatia dilatada.
Segundo Cavadas, uma das maiores dificuldades em transplantes cardíacos, principalmente, em crianças é a falta de doadores. A recusa da família, explicou, responde por cerca de um terço do déficit. Até julho deste ano, foram realizados 24 transplantes de coração no Paraná e havia 98 pessoas na fila de espera.

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