Marcos NegriniSustoAida Ribeiro de Andrade, com o filho: ‘‘Fiquei com medo mas entreguei à Deus e fui ter o nenê fora de Maringᒒ‘‘Fiquei com muito medo, mas entreguei à Deus porque não tinha outra alternativa’’. A autora da frase é a operadora de computador Aida Ribeiro de Andrade, 24 anos, que teve seu bebê na última quarta-feira, no Hospital de Paiçandu (10 quilômetros de Maringá).
Ela realizou cinco consultas de pré-natal no Posto de Saúde do Conjunto Ney Braga, mas na hora do parto teve que ir à Paiçandu porque seu médico (de Maringá) não faz cesariana pelo SUS.
Segundo Aida, o médico que a atendeu em Maringá pediu R$ 320,00 para o parto normal e R$ 520,00 para cesária. ‘‘Não tinha condições de pagar estes valores porque estou desempregada’’, disse. No Hospital de Paiçandu, Aida não pagou nada para ter o bebê.
Outra gestante que recorreu ao Hospital de Paiçandu na hora do parto foi a costureira Teresa da Silva Pimenta, 26 anos. Ela também teve acesso ao atendimento pré-natal no Posto de Saúde do Maringá Velho, mas disse que não tinha condições de pagar R$ 400,00 para que o médico que a atendia fizesse a cesária.
Marcos NegriniÚltimos diasTeresa da Silva Pimenta: ‘‘Não tenho o dinheiro que o médico que fez o meu pré-natal pediu para fazer o parto’’
‘‘Ele só foi me falar do valor que cobraria para fazer meu parto no oitavo mês de gravidez. Não tive nem tempo para fazer uma poupança porque ele queria o dinheiro logo após o parto’’, afirmou. Teresa deveria ter seu bebê no final da tarde de sexta-feira. ‘‘Estou com um pouco de receio porque não conheço o médico que vai fazer a minha cesária, mas acho que vai dar tudo certo’’, declarou.
O Hospital de Paiçandu faz cerca de 70 cesárias por mês. Deste total, 60% são de pacientes de Maringá e Sarandi. O diretor proprietário do hospital, Francisco Vieira Filho, afirma que nos últimos dois anos (época em que adquiriu o hospital) não houve nenhum problema com as gestantes que chegam de outras cidades para serem atendidas pelos médicos do hospital na hora do parto.
Segundo Vieira, o SUS paga R$ 120,00 para o hospital pelos serviços de cesária e R$ 70,00 para o médico que realiza a cirurgia. ‘‘Além deste valor, tem mais 25% do total, que é o repasse do CPMF’’, diz. Vieira afirma que os valores pagos pelo SUS não são suficientes para deixar nenhum médico rico, mas a vantagem do hospital é que o estabelecimento ganha no volume de atendimentos.

mockup