Bebê Arthur aguarda doador
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segunda-feira, 06 de março de 2006
Clarissa Thomée Karine Rodrigues<br>Agência Estado 
Rio- Com a capacidade cardíaca em declínio, o bebê Arthur, que depende de um transplante para manter-se vivo, será transferido, hoje pela manhã, para o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. Internado desde o nascimento, em novembro, no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio, ele sofre de hipoplasia das cavidades esquerdas, uma anomalia que, em determinados casos, pode ser revertida cirurgicamente. Ele, porém, tem uma veia aorta muito fina, impossibilitando a correção do problema.
Arthur seguirá viagem em um jato da Amil que está marcado para decolar do aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio, às 9h30. No avião, com destino a Congonhas, há apenas outros dois lugares: um para o médico da operadora; o outro, para a responsável pela área de cardiologia pediátrica do Pró-Cardíaco, Adriana Proença. Mãe do bebê, Beatriz Schlobach, de 31 anos, já vai estar em São Paulo aguardando o filho. Já o pai, Rafael Paim, de 29 anos, vai, em outro vôo, logo após o embarque de Arthur.
''O quadro dele está cada dia pior. Estamos indo em busca de mais agilidade, pois não podemos correr o risco de perder qualquer segundo, caso um doador apareça'', disse Rafael, explicando que a taxa de oxigênio no sangue, que nunca esteve no nível ideal, caiu de 80% para 65%, exigindo que o bebê faça o mínimo de movimentos possível para evitar que o consumo de oxigênio aumente. Por causa disso, ele quase não fica no colo dos pais.
Segundo Rafael, a capacidade cardíaca de Arthur não evolui porque o stent (dispositivo metálico, em forma de tubo) que ele recebeu logo ao nascer é fixo. ''Ele está crescendo, está com 60 centímetros e 4,2 quilos. E precisa, urgentemente, de um doador. Estou agora colocando meu filho no colo dos paulistas, pedindo que eles nos ajudem'', apelou o engenheiro, que vai permanecer no Rio, trabalhando, e segue para São Paulo nos finais de semana, para ficar com a mulher o e filho.
Do aeroporto, Arthur vai ser levado para o Incor de ambulância, onde permanecerá aguardando um doador. Até os dois meses de idade, ele poderia receber o coração de um bebê anencéfalo, ou seja, portador de um anomalia que impede o crescimento total do cérebro. Surgiram 15 doadores em tais condições, mas nenhum com peso adequado. Agora, ele precisa receber o coração de um bebê que tenha entre 4 e 9 quilos.
Para chamar a atenção da população sobre a importância da notificação de morte encefálica, imprescindível para o transplante, Rafael está organizando uma caminhada no domingo.


