Bebê amamentado, ouvido protegido
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de agosto de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Com a quantia exata de nutrientes para o bebê, o leite materno é considerado, além de alimento, proteção. Pesquisa divulgada durante a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que se encerra amanhã, mostra mais um dos benefícios da amamentação exclusiva até os seis meses: a proteção contra infecções de ouvido. A pesquisa foi feita pelas fonaudiólogas Juliana Jandre Melo e Luciana Marchiori, docentes da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
No artigo intitulado ''Resultados Timpanométricos: Lactentes de Seis Meses de Idade'', que será publicado na Cefac, uma das mais respeitadas revistas de fonoaudiologia do país, elas mostram os números da pesquisa.
Foram avaliados 46 bebês, com seis meses de idade na data da avaliação, 30 deles, o que corresponde a 65%, submetidos à amamentação exclusiva, e 16 (35%), não. Os bebês passaram por dois exames, inspeção do ouvido externo e impedanciometria, que mostram alterações timpanométricas, sugestivas de infecções de ouvido (otites).
Entre os que não tiveram amamentação exclusiva apenas 50% apresentou a timpanometria normal. Já entre os que foram amamentados exclusivamente com o leite materno, a timpanometria foi normal em 90% dos casos. ''Os resultados da pesquisa mostraram que houve diferença estatisticamente significante nos achados de alteração timpanométrica em bebês amamentados por mais tempo'', avalia Luciana.
A proteção proporcionada pela amamentação se torna ainda mais importante quando se pensa que 20% das crianças na primeira infância apresentam perda auditiva devido às infecções de ouvido. Mesmo leves e temporárias, essas perdas auditivas contribuem para alterações de fala e linguagem e no processo de aprendizagem. ''Os problemas aparecem principalmente nos casos de otites de repetição, porque ora a criança escuta bem, ora não. Com alteração no processamento auditivo central, ela não decodifica de maneira adequada os sons, e isso vai aparecer na troca de fonemas e na alfabetização'', aponta Juliana.
O leite materno, citam as fonoaudiólogas, tem a capacidade de inibir o crescimento de vários tipos de bactérias, com importante papel contra um tipo específico que causa processos infecciosos no ouvido médio. ''Além disso, durante uma infecção, a criança que teve aleitamento materno se recupera mais rápido'', atestam.
Com o trabalho, elas concluem que ''apesar de existirem outros fatores de risco'' para infecções de ouvido, a amamentação exclusiva até os seis meses, atua como ''fator de proteção contra alterações timpanométricas''.
As pesquisadoras lembram ainda que a amamentação faz com que não apareçam outros problemas fonaudiológicos, pois leva ao desenvolvimento saudável da mandíbula e da respiração nasal. Ao mamar, o bebê faz um movimento de sucção que colabora para a dentição, a mastigação, uma maior harmonia do rosto, além de prevenir distúbios da fala.


