Beatriz pensou em viajar de avião
A professora Beatriz Silva planejava trocar o ônibus pelo avião para se deslocar até São Paulo. Ela estudava há um mês na Universidade de São Paulo (USP), onde iria defender tese de doutorado ao final de quatro anos de aulas. E só não tomou um avião no Aeroporto Afonso Pena na manhã de segunda-feira porque calculou que chegaria atrasada na universidade.
O pai de Beatriz, o advogado Nery Belmonte de Barros, 62 anos, disse que conversou com a filha sobre o desejo de mudar o modo de viajar. Os dois tocaram no assunto cerca de duas horas antes de Beatriz sair para a rodoferroviária de Curitiba. ‘‘Ela estava querendo agilizar para passar a ir de avião’’, contou Barros. Ele confirmou que a professora manifestou o desejo porque achava a rodovia (BR-116) bastante perigosa.
Beatriz saía de Curitiba no início da madrugada de segunda-feira e retornava para casa na sexta à noite. Ela é casada com o empresário Sérgio Augusto Amed e Silva, 31 anos, com quem tem um filho de 11 anos e uma filha de cinco anos. O empresário está em Registro (SP) em busca de informações sobre a mulher, que desapareceu após o acidente.
De acordo com a professora Adriana Luíza do Prado, 31 anos, chefe do Departamento de Matemática da UFPR, onde Beatriz trabalhava, a rotina semanal para quem quer buscar novas graduações é a estrada. ‘‘É comum o pessoal daqui, que faz doutorado, pegar a estrada. Todo mundo faz um sacrifício para se qualificar e só volta para rever a família nos fins de semana.’’ Beatriz queria concluir o doutorado no exterior. ‘‘Ela estava com todo o gás’’, comentou. (D.V.)

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