Beatriz Abagge vai a julgamento após 13 anos
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quinta-feira, 26 de maio de 2011
Maigue Gueths <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um dos casos criminais mais polêmicos do País, que protagonizou em 1998 o mais longo julgamento da história da Justiça brasileira, depois anulado, volta a ocupar o Tribunal do Júri, em Curitiba, a partir das 9 horas de hoje. Beatriz Cordeiro Abagge, de 47 anos, será julgada no 2º Tribunal do Júri de Curitiba, acusada de ter participado, em abril de 1992, junto com outras seis pessoas, da morte do menino Evandro Ramos Caetano, de 6 anos, em um ritual de magia negra, em Guaratuba, no Litoral.
A mãe de Beatriz, Celina Cordeiro Abbage, 73, não vai a julgamento por ter mais de 70 anos, de acordo com a lei brasileira, tem direito à redução do prazo prescrional máximo e, assim, sua punibilidade foi extinta. As duas foram acusadas, na época, de ter encomendado o sacrifício de uma criança em um ritual de magia para conseguir melhorar a situação da marcenaria da família. O caso ganhou repercussão nacional, não apenas pela circunstância do crime, mas também por envolver nomes da política paranaense.
Celina era casada com o então prefeito de Guaratuba Aldo Abagge. Os outros cinco acusados foram a julgamento em 2004, quando três foram condenados e dois absolvidos pelo júri.
Celina e Beatriz Abbage foram a julgamento em 1998. Depois de 34 dias de sessões, e de 30 testemunhas terem prestado depoimento, elas foram consideradas inocentes. O veredito foi de que o corpo encontrado desfigurado num matagal, cinco dias após o desaparecimento do garoto, não seria de Evandro.
O Ministério Público do Paraná recorreu e conseguiu a anulação do julgamento. As duas ficaram presas em regime fechado entre 1992 e 95 e cumpriram mais três em prisão domiciliar, em Curitiba, sendo liberadas em 1998.
Até hoje há dúvidas de que aquele cadáver seria mesmo o de Evandro, já que dos três exames de DNA feitos na época em um laboratório de Minas Gerais, dois deram resultados inconclusivos e o terceiro, que deu positivo, foi feito a partir de um dente de leite que a mãe de Evandro guardava em casa e não de material retirado do corpo.
No julgamento, que começa hoje e deve se estender pelo final de semana, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) vai sustentar que Beatriz e Celina são responsáveis pela morte e vilipêndio do cadáver do menino. Já o advogado de defesa Adel El Tasse vai apresentar pelo menos dois novos argumentos em defesa das Abbage: um parecer que questiona o teste de DNA e coloca em dúvida se o corpo seria de Evandro e, ainda, laudos periciais que mostram que as confissões foram obtidas sob tortura.


